Método

Qualis CAPES: o que é e erros que você precisa evitar

Entenda o sistema Qualis CAPES, o que as classificações significam, como consultar e quais erros comuns cometer ao escolher onde publicar.

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Por que todo mundo fala em Qualis mas pouca gente entende

Vamos lá. Na pós-graduação brasileira, o Qualis CAPES aparece em todas as conversas sobre publicação. Orientadores pedem artigos “de bom Qualis”. Programas usam o Qualis para avaliar sua produtividade. Alunos perseguem A1 sem saber exatamente o que isso significa na prática.

O sistema tem propósito real: ajudar a avaliar a qualidade relativa dos periódicos científicos nas diferentes áreas do conhecimento. Mas há bastante confusão sobre como ele funciona, e essa confusão leva a erros que afetam a estratégia de publicação.

O que é o Qualis CAPES

O Qualis é um conjunto de procedimentos para estratificar a qualidade de periódicos científicos onde pesquisadores de programas de pós-graduação brasileiros publicam. A CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) usa essas classificações para avaliar os programas de pós-graduação nas avaliações periódicas.

A escala vai de A1 (o mais alto) a C, passando por A2, A3, A4, B1, B2, B3, B4 e C. Periódicos não classificados ficam fora do radar do sistema.

O Qualis não é uma nota de qualidade absoluta do periódico. É uma classificação relativa dentro de uma área de avaliação específica. Isso significa que o mesmo periódico pode ter classificações diferentes em áreas distintas.

A confusão mais comum: Qualis varia por área

Esse ponto trava muita gente. Um periódico de Enfermagem pode ser A1 na área de Ciências da Saúde e B2 na área de Educação. Isso não é incoerência: é o sistema reconhecendo que o impacto de uma publicação depende do contexto disciplinar.

Quando você vai consultar o Qualis de um periódico, precisa especificar a área de avaliação correspondente ao seu programa de pós-graduação, não só o nome do periódico.

A consulta é feita na Plataforma Sucupira, no portal da CAPES. Vale fazer essa consulta antes de submeter qualquer artigo, porque a classificação muda entre os ciclos de avaliação.

Erro 1: confundir fator de impacto com Qualis

Fator de impacto (JIF, do Journal Impact Factor) é uma métrica calculada pela Clarivate Analytics que mede quantas vezes, em média, os artigos de um periódico são citados em determinado período. É uma métrica internacional.

Qualis é uma classificação nacional, feita pela CAPES, que leva em conta vários fatores além do fator de impacto, como a indexação do periódico, a política editorial e, em muitos casos, a adequação à área.

Um periódico internacional com alto fator de impacto pode ter Qualis alto em várias áreas, mas nem sempre. E periódicos brasileiros de qualidade reconhecida em suas áreas podem ter Qualis alto sem necessariamente ter grande circulação internacional.

Erro 2: mirar sempre no A1

Publicar em periódico A1 parece o objetivo óbvio. Mas há dois problemas práticos.

O primeiro é competição: periódicos A1 recebem altíssimo volume de submissões, têm taxas de rejeição altas e processos de revisão exigentes. Um artigo de mestrado muito bem escrito pode enfrentar anos de tentativas frustradas tentando publicar em A1 quando um B1 ou A2 mais focado seria mais estratégico.

O segundo problema é adequação: um periódico A1 generalista pode ser um destino ruim para um artigo muito específico. Periódicos especializados de Qualis A2 ou B1 costumam ter revisores mais alinhados com o tema, processo mais justo e leitores mais qualificados para o que você está pesquisando.

A estratégia de publicação não é “sempre mire no mais alto”. É “encontre o periódico mais adequado ao seu trabalho que tenha o Qualis necessário para o seu programa”.

Erro 3: não verificar o Qualis antes de submeter

Parece óbvio, mas é muito comum submeter um artigo sem verificar o Qualis atual do periódico para a área do seu programa. Os Qualis são recalculados periodicamente, e um periódico que era A2 pode ter sido reclassificado para B1 (ou subido para A1) na última avaliação.

Consulte o Qualis no ciclo de avaliação vigente antes de cada submissão.

Erro 4: publicar em periódicos predatórios com Qualis baixo

Periódicos predatórios cobram taxas de publicação sem oferecer revisão real por pares. Muitos têm classificações Qualis baixas (C ou sem classificação) e aceitam praticamente qualquer artigo.

Publicar nesses veículos não ajuda seu currículo e pode prejudicar sua credibilidade acadêmica. O critério mínimo razoável é que o periódico tenha revisão real por pares, política editorial clara e que esteja indexado em bases como SciELO, Scopus ou Web of Science.

Como o Qualis afeta a avaliação da pós-graduação

Os programas de pós-graduação são avaliados pela CAPES a cada quatro anos. Uma das métricas dessa avaliação é a produção bibliográfica dos docentes, que inclui artigos em periódicos classificados no Qualis.

Programas com boa produção em Qualis altos conseguem notas 5, 6 ou 7 na avaliação da CAPES, o que afeta diretamente o financiamento, o prestígio e a capacidade de oferecer bolsas. Por isso, orientadores pressionam por publicações de bom Qualis: não é vaidade, é sobrevivência do programa.

Para o aluno de pós-graduação, entender essa engrenagem ajuda a compreender por que certas expectativas existem e a tomar decisões mais informadas sobre onde investir o esforço de publicação.

Qualis não é tudo

Olha só um ponto que é frequentemente esquecido: Qualis classifica periódicos, não artigos. Um artigo medíocre publicado em A1 e um excelente publicado em B2 não valem o mesmo em termos de qualidade real da pesquisa, mas podem ser tratados de forma diferente nas métricas de avaliação.

Isso é uma limitação do sistema, reconhecida inclusive pela própria CAPES, que tem discutido aprimoramentos nos critérios de avaliação ao longo dos anos.

Publique no periódico mais adequado ao seu trabalho, com bom Qualis, e com processo de revisão honesto. Essa combinação serve tanto para sua trajetória acadêmica quanto para a integridade do que você está produzindo.

Se você está começando a pensar em publicação durante a pós-graduação, veja também os recursos disponíveis em /recursos para entender melhor como organizar sua estratégia de pesquisa e escrita.

Como funciona o ciclo de avaliação do Qualis

O Qualis não é um sistema permanente e estável. Ele é recalculado a cada ciclo de avaliação da CAPES, que atualmente ocorre a cada quatro anos. Isso significa que um periódico que era A1 em um ciclo pode ser reclassificado para A2 no próximo, e vice-versa.

As reclassificações acontecem por vários motivos: mudanças no fator de impacto do periódico, alterações nos critérios da área, mudanças na política editorial do periódico ou ajustes nos parâmetros da própria CAPES.

Isso tem uma consequência prática importante: verificar o Qualis de um periódico uma vez não é suficiente. Se você está construindo uma estratégia de publicação de médio prazo, acompanhe as mudanças a cada ciclo e verifique o status atual do periódico antes de submeter.

O que acontece quando o periódico não tem Qualis

Periódicos sem classificação no Qualis (ou com classificação C) praticamente não contam para a avaliação dos programas de pós-graduação. Publicar nesses periódicos não contribui significativamente para o currículo acadêmico e pode até gerar questionamentos sobre julgamento editorial, especialmente se forem periódicos predatórios.

A exceção são periódicos muito novos que ainda estão sendo indexados e não passaram pelo ciclo de avaliação do Qualis. Nesses casos, verificar a indexação em bases reconhecidas (Scopus, Web of Science, SciELO) ajuda a avaliar se o periódico tem potencial de receber boa classificação nos próximos ciclos.

Qualis e periódicos internacionais

Um ponto de confusão frequente é a relação entre Qualis e periódicos internacionais. Periódicos internacionais de alto impacto tendem a ter Qualis A1 ou A2 na maioria das áreas. Mas nem sempre.

Em algumas áreas brasileiras, especialmente aquelas onde a língua portuguesa é um aspecto central da produção, periódicos nacionais de alta qualidade podem ter Qualis A1 enquanto periódicos internacionais menos alinhados com a área têm classificações mais baixas.

O ponto é: não assuma que “publicar em inglês em revista internacional” é automaticamente melhor para o Qualis. Consulte a classificação específica na área do seu programa.

Onde errar menos na estratégia de publicação

Algumas práticas que ajudam a tomar melhores decisões sobre onde publicar:

Construa uma lista de 10 a 15 periódicos relevantes para sua área e verifique o Qualis de cada um na área do seu programa. Mantenha essa lista atualizada.

Antes de submeter, leia artigos recentes publicados naquele periódico para avaliar se o escopo e o nível de seu trabalho são compatíveis.

Consulte seu orientador sobre sua estratégia. Quem tem mais experiência na área conhece os periódicos por dentro: sabe quais têm processo de revisão mais rigoroso, quais têm mais agilidade, quais têm mais prestígio real além do Qualis.

E, por fim, publique com integridade. Um artigo bem feito submetido ao periódico certo tem muito mais valor do longo prazo do que muitas publicações em periódicos de baixo rigor só para incrementar métricas.

Perguntas frequentes

O que é o Qualis CAPES e para que serve?
Qualis CAPES é um sistema de classificação de periódicos científicos usado no Brasil pela CAPES para avaliar a produção bibliográfica dos programas de pós-graduação. A classificação vai de A1 (mais alto) até C (mais baixo), e indica o prestígio do periódico na área.
Como consultar o Qualis de um periódico?
A consulta pode ser feita na Plataforma Sucupira, no site da CAPES. Você busca pelo ISSN ou nome do periódico e filtra por área de avaliação. O Qualis varia por área, então um mesmo periódico pode ter classificações diferentes em Medicina e em Educação.
Qualis A1 é sempre melhor para publicar?
Não necessariamente. Para a dissertação ou tese, o que importa é a adequação do periódico à sua pesquisa e a qualidade do processo de revisão. Publicar em um A2 ou B1 alinhado à sua área é mais estratégico do que publicar em um A1 que mal dialoga com seu tema.

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