Citação com grifo nosso: como usar corretamente na ABNT
Aprenda a usar grifo nosso em citações acadêmicas conforme as normas ABNT e evite os erros mais comuns que comprometem a credibilidade do texto.
Grifo nosso não é detalhe, é precisão científica
A maioria das pesquisadoras aprende sobre grifo nosso quando a orientadora devolve o texto marcado em vermelho. A norma existe, todo mundo sabe que existe, mas poucos sabem exatamente onde colocar, quando usar e o que acontece quando se usa errado.
Grifo nosso é o recurso que sinaliza ao leitor que um destaque tipográfico (itálico, negrito ou sublinhado) dentro de uma citação direta foi adicionado pelo pesquisador, e não estava no texto original. Sem essa sinalização, o leitor não consegue saber se o destaque é do autor citado ou de quem cita.
Isso importa porque altera a leitura. Um itálico colocado pelo autor pode indicar ênfase intencional, uso técnico do termo, ou palavra estrangeira. Um itálico colocado por você ao citar indica que você está chamando atenção para aquele trecho dentro do argumento que está construindo. São intenções diferentes, e confundi-las compromete a precisão do texto acadêmico.
A norma ABNT: onde e como indicar
A ABNT NBR 10520, que regula citações em trabalhos acadêmicos, estabelece que qualquer alteração feita em citação direta deve ser indicada entre colchetes ou em nota. O grifo nosso entra na referência parentética, após o número de página.
O formato padrão é:
“Trecho citado com algum destaque adicionado.” (SOBRENOME, Ano, p. X, grifo nosso)
Se o destaque já estava no original, usa-se:
“Trecho com destaque original.” (SOBRENOME, Ano, p. X, grifo do autor)
Quando a citação não tem nenhum destaque, nenhuma das expressões é necessária. Você só inclui o aviso quando há algum elemento tipográfico envolvido.
Alguns programas e revistas aceitam variações como “ênfase adicionada” ou “negrito nosso”, mas grifo nosso é a expressão padronizada pela ABNT e a mais segura para trabalhos acadêmicos no Brasil.
Os erros mais comuns ao usar grifo nosso
Omitir o aviso quando há destaque adicionado
Esse é o erro mais frequente. A pesquisadora adiciona itálico a um trecho para enfatizar um conceito específico e se esquece de indicar que o destaque não estava no original. O leitor não tem como saber se o itálico é da autora citada ou de quem cita.
A consequência prática é pequena em muitos casos, mas a consequência metodológica é que você alterou uma citação sem registrar a alteração. Em textos submetidos a periódicos ou bancas rigorosas, isso aparece como imprecisão.
Colocar o grifo nosso antes do número de página
A ordem dentro dos parênteses importa. O correto é: (SOBRENOME, Ano, p. X, grifo nosso). Colocar antes do número de página, como (SOBRENOME, Ano, grifo nosso, p. X), não segue a convenção da ABNT, embora seja erro menor do que omitir completamente.
Usar em citação indireta
Citação indireta é paráfrase. Você já está reescrevendo com suas próprias palavras, então não há texto original que você possa marcar com grifo. O itálico que você usa em citação indireta para destacar um conceito é simplesmente formatação do seu próprio texto, sem necessidade de nenhum aviso.
Confundir com supressão
Grifo nosso indica adição de destaque. Supressão indica retirada de trecho, marcada com reticências entre colchetes […]. São recursos diferentes para propósitos diferentes. Usá-los de forma trocada ou combinada incorretamente gera confusão na leitura da citação.
Não usar quando o original já tem destaque
Se o autor original usou itálico em um termo e você está citando aquele trecho sem manter o itálico, está alterando a citação no sentido oposto. Nesse caso, o destaque precisaria ser mantido, ou você precisaria indicar que o removeu. O mais comum é manter o destaque original e indicar com “grifo do autor” para o leitor saber que veio do texto citado.
Quando usar grifo nosso na prática
O grifo nosso faz sentido quando um trecho longo de citação direta tem uma parte específica que é central para o seu argumento, e você quer que o leitor note aquele ponto em particular.
Por exemplo, você está discutindo o conceito de saturação em pesquisa qualitativa e quer citar uma definição extensa, mas o trecho que resolve a questão que você levantou está no meio. Destacar aquele trecho em itálico e indicar grifo nosso orienta o leitor sem precisar fragmentar a citação.
Não existe um critério numérico para usar ou não. A pergunta é se o destaque serve ao argumento do texto. Se sim, use com a indicação correta. Se está usando apenas para decorar a citação ou porque parece mais elegante, a resposta é não usar.
Grifo nosso e rigor metodológico
Existe uma tendência, especialmente em primeiras versões de dissertações e teses, de usar recursos tipográficos nas citações sem atentar para o que cada um significa. Itálico aqui, negrito ali, às vezes para fazer o texto parecer mais trabalhado.
O que a banca vê nessa prática é inconsistência metodológica. Não porque itálico seja errado, mas porque sem os avisos corretos, o leitor não consegue distinguir o que é do autor, o que é da pesquisadora que cita, e o que é simplesmente formatação sem intenção.
A lógica é a mesma que orienta a citação direta como um todo: você está usando palavras de outra pessoa para construir seu argumento, e isso exige transparência total. Grifo nosso é parte dessa transparência.
Como o Método V.O.E. ajuda na revisão de citações
Na fase de Organização do Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente), uma das tarefas é mapear todas as citações diretas do texto e verificar a consistência das referências. Esse é o momento certo para checar se há destaques tipográficos sem aviso, se grifo nosso e grifo do autor estão sendo usados corretamente, e se as supressões estão marcadas.
Fazer essa revisão como etapa separada, em vez de tentar corrigir enquanto se escreve, é mais eficiente porque você olha para as citações com um critério específico, sem a dispersão de estar pensando no argumento ao mesmo tempo.
Para aprofundar como organizar o processo de revisão da escrita acadêmica, a página do Método V.O.E. explica como distribuir as tarefas de forma que cada fase tenha um foco claro.
Um teste rápido antes de submeter
Antes de entregar um trabalho acadêmico, vale percorrer todas as citações diretas com uma única pergunta em mente: esse trecho tem algum elemento tipográfico diferente do texto corrido?
Se a resposta for sim:
- O destaque estava no original? Verifique na fonte. Se estava, inclua “grifo do autor”.
- O destaque foi adicionado por você? Inclua “grifo nosso”.
- O trecho foi adaptado de alguma outra forma? Indique entre colchetes.
Esse teste leva menos de uma hora em dissertações de tamanho médio e evita boa parte das pendências de formatação que aparecem nas revisões de banca. Normas de citação parecem detalhes, mas a consistência no uso delas diz muito sobre o cuidado metodológico de quem pesquisa.
Grifo nosso em citações de longa extensão
Citações com mais de três linhas, que pela ABNT ficam em parágrafo separado com recuo de 4 cm, são onde o grifo nosso aparece com mais frequência. Quando você precisa citar um parágrafo inteiro para preservar o contexto, mas o argumento gira em torno de uma frase específica, o destaque orientado por grifo nosso cumpre uma função real de leitura.
Nesse caso, a estrutura fica:
Citação longa em bloco separado, com o trecho relevante em destaque. Continuação do parágrafo original sem destaque. (SOBRENOME, Ano, p. X, grifo nosso)
O destaque tipográfico dentro do bloco recuado funciona melhor em itálico do que em negrito, porque o negrito em bloco recuado pode criar contraste visual excessivo dependendo da formatação do documento. Mas isso é preferência de estilo, não norma.
O que é norma é o aviso. Sem ele, a citação está incompleta do ponto de vista metodológico, independentemente do tamanho ou do tipo de destaque usado.
Perguntas frequentes
Como escrever grifo nosso em uma citação ABNT?
Posso usar grifo nosso em citação indireta?
Qual a diferença entre grifo nosso e grifo do autor?
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