Método

Modelo de Artigo Científico ABNT: Estrutura e Formatação

Entenda a estrutura obrigatória de um artigo científico pelas normas ABNT e como montar cada seção sem errar na formatação.

artigo-cientifico escrita-academica publicacao-cientifica metodo tcc

Estrutura não é burocracia: é argumento

A resistência à formatação ABNT costuma vir de um mal-entendido: a sensação de que as normas existem para dificultar a vida de quem escreve. Não é isso.

Artigo científico é uma estrutura que serve para comunicar conhecimento de forma eficiente entre pesquisadoras que não se conhecem e que não têm tempo de ler trabalhos mal organizados. Cada seção da estrutura ABNT resolve um problema concreto de comunicação. Quando você entende qual problema cada seção resolve, a formatação para de parecer arbitrária.

Este guia vai te mostrar o que cada parte do artigo faz, o que a norma exige e onde costumam aparecer os erros mais frequentes.


A norma que rege artigos científicos

A norma que define a estrutura de artigos científicos no Brasil é a ABNT NBR 6022, com versão vigente de 2018. Ela se aplica a artigos publicados em periódicos científicos. Para referências, a norma aplicável é a ABNT NBR 6023 (versão de 2018, atualizada em 2024). Para citações no texto, a ABNT NBR 10520 (2023).

Essas três normas trabalham juntas. A NBR 6022 organiza a estrutura do documento, a NBR 10520 define como citar dentro do texto e a NBR 6023 padroniza como listar as fontes no final.

Antes de formatar qualquer coisa, verifique qual versão do template o periódico exige. Muitos periódicos têm templates próprios que adaptam as normas ABNT ao seu estilo editorial. Nesses casos, o template do periódico prevalece sobre a norma geral.


Elementos pré-textuais: o que vem antes do artigo

Os elementos pré-textuais são as informações que ficam antes do corpo do artigo propriamente dito.

Título e subtítulo: em português e em inglês. Deve ser informativo e preciso: a leitora deve saber o que o artigo trata sem precisar ler o resumo. Evite títulos genéricos (“Estudo sobre…”) e títulos longos demais que viram parágrafos.

Autoria: nome(s) completo(s) do(s) autor(es), afiliação institucional e, quando exigido, ORCID. A ordem dos autores em ciências da saúde e naturais segue contributorship: quem fez mais vem primeiro. Em humanidades, a ordem pode ser alfabética.

Resumo e abstract: texto corrido (sem tópicos), 100 a 250 palavras (verificar instrução do periódico), com objetivo, método, resultados e conclusão. O resumo é em português, o abstract é a tradução para inglês. Não escreva “Este artigo objetiva…”; vá direto ao ponto: “Analisamos…” ou “O estudo investigou…”.

Palavras-chave e keywords: de 3 a 5 termos, separados por ponto e vírgula, em português e em inglês respectivamente. Use os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) ou o tesauro da área quando existir: isso aumenta a indexação do artigo em bases de dados.


Corpo do artigo: introdução, desenvolvimento e conclusão

A estrutura interna do artigo segue a lógica IMRaD (Introduction, Methods, Results and Discussion) em ciências da saúde e experimentais, ou estrutura dissertativa em humanidades e ciências sociais. Em qualquer caso, a NBR 6022 define três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão (ou considerações finais).

Introdução

A introdução apresenta o problema de pesquisa, justifica por que ele importa, situa o leitor na literatura existente e anuncia o objetivo do artigo. Uma boa introdução tem:

  1. Apresentação do tema e do problema
  2. Revisão seletiva da literatura (o que já se sabe e o que ainda falta saber)
  3. Lacuna que justifica o estudo
  4. Objetivo do artigo (uma frase, sem “objetivo geral e específico”)
  5. Breve descrição da estrutura do texto (opcional, mas útil em artigos longos)

A introdução não é para impressionar com quanto você leu. É para convencer a leitora de que existe um problema real e que seu estudo resolve alguma coisa.

Desenvolvimento

O desenvolvimento é onde a pesquisa acontece. Em artigos empíricos, segue a sequência metodologia, resultados e discussão. Em artigos teóricos ou de revisão, a organização é temática.

Metodologia (ou Materiais e Métodos): descreve o que foi feito com detalhe suficiente para que outra pesquisadora possa replicar ou avaliar a adequação do desenho. Inclui: tipo de estudo, participantes ou fontes de dados, procedimentos de coleta e análise, aprovação ética quando aplicável.

Resultados: apresenta os achados sem interpretação. Tabelas, gráficos e figuras são bem-vindos quando resumem dados que seriam ineficientes em texto. Cada tabela e figura deve ser mencionada no texto antes de aparecer.

Discussão: interpreta os resultados à luz da literatura. Responde às perguntas: o que esses dados significam? Como se relacionam com o que já se sabia? Quais as limitações do estudo? Quais as implicações para a prática ou para pesquisas futuras?

Em artigos teóricos, o desenvolvimento pode ser organizado em seções temáticas com subtítulos, sem essa sequência rígida.

Conclusão (ou Considerações finais)

A conclusão responde diretamente ao objetivo anunciado na introdução. Não é resumo dos resultados (isso já está nos resultados). É a síntese do que o estudo contribui para o campo.

Evite concluir com “são necessários mais estudos sobre o tema”. Isso é verdade para qualquer artigo e não acrescenta nada. Se quiser apontar lacunas futuras, seja específica: que tipo de estudo, com qual população, com qual recorte.


Elementos pós-textuais: o que vem depois

Referências: lista obrigatória de todas as fontes citadas no texto, formatada conforme a NBR 6023. Atenção: referências listadas mas não citadas no texto (ou citadas mas não listadas) são erro grave de qualificação.

Apêndices: materiais produzidos pela própria autora que complementam o texto (roteiros de entrevista, questionários, tabelas extensas). Identificados por letras: Apêndice A, Apêndice B.

Anexos: materiais externos que complementam o texto (documentos de aprovação ética, mapas, legislação). Identificados por letras: Anexo A, Anexo B.

Apêndice e Anexo são elementos opcionais. Use quando o material realmente acrescenta algo que não cabe no corpo do artigo sem interromper a leitura.


Erros mais frequentes na formatação

Depois de anos revisando artigos e auxiliando pesquisadoras na submissão para periódicos, esses são os erros que mais aparecem:

  1. Resumo em tópicos: a norma exige texto corrido. Resumo com bullets é devolvido pela maioria dos periódicos.
  2. Palavras-chave que repetem o título: palavras-chave existem para ampliar a indexação. Se o título já diz “artigo científico ABNT”, a keyword “artigo científico” não acrescenta nada.
  3. Misturar sistema autor-data com sistema numérico: escolha um e use do início ao fim.
  4. Tabelas sem título acima e sem fonte abaixo: título fica acima da tabela, fonte (quando dados são externos) fica abaixo.
  5. Figuras sem indicação de autoria: “Fonte: elaborado pela autora” ou a referência correta quando é reproduzida de outro trabalho.
  6. Referências com formatação inconsistente: misturar negrito no nome da obra em alguns e não em outros, ou variar o uso de ponto e vírgula como separador.

Como o Método V.O.E. se aplica à escrita do artigo

A escrita de um artigo científico tem etapas que precisam de sequência, não de bravura. O Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente) organiza esse processo de forma que cada fase prepare a seguinte.

Velocidade: antes de escrever a primeira linha, defina a pergunta de pesquisa, o objetivo e a estrutura do artigo no papel. Uma página de esboço antes de abrir o documento formal economiza horas de reescrita depois.

Organização: separe a coleta de dados da escrita. Se você tenta analisar e escrever ao mesmo tempo, o resultado costuma ser texto confuso. Termine a análise, monte as tabelas e os resultados, e só então escreva os capítulos de introdução e discussão.

Execução Inteligente: escreva a metodologia primeiro (é o que você já fez), depois os resultados (é o que você encontrou) e por último a introdução e a discussão. Muita pesquisadora tenta escrever na ordem de leitura e trava na introdução porque ainda não sabe exatamente o que vai concluir.


Fechamento: norma serve à clareza, não ao contrário

A estrutura ABNT não existe para tornar o artigo mais difícil de escrever. Existe para que pesquisadoras do Brasil inteiro leiam um artigo e encontrem cada informação onde esperam encontrar.

Quando você domina a estrutura, o trabalho fica mais rápido, não mais lento. Você sabe o que cada seção precisa ter, escreve com foco e evita o retrabalho de reorganizar tudo na revisão final.

Se você quiser aprofundar como organizar a escrita do artigo como um projeto com etapas, recomendo passar pelo Método V.O.E. e pela página de recursos, onde estão as ferramentas que uso e indico para pesquisadoras em processo de escrita.

Perguntas frequentes

Qual é a estrutura obrigatória de um artigo científico ABNT?
Segundo a ABNT NBR 6022, um artigo científico deve ter: elementos pré-textuais (título, autoria, resumo, palavras-chave, abstract, keywords), corpo do artigo (introdução, desenvolvimento, conclusão) e elementos pós-textuais (referências e, quando necessário, apêndices e anexos). A estrutura interna do desenvolvimento varia conforme a área e o tipo de pesquisa, mas a sequência pré-textual e pós-textual é normativa.
Qual a diferença entre resumo e abstract em artigo científico?
O resumo é a versão em português e o abstract é a tradução para o inglês. Ambos devem conter o objetivo, a metodologia, os principais resultados e a conclusão do artigo, em texto corrido (sem tópicos), com 100 a 250 palavras conforme a norma. O abstract vem logo depois do resumo e segue o mesmo conteúdo. Alguns periódicos pedem até 300 palavras, então sempre confirme as instruções do periódico específico.
Como formatar as referências ABNT em artigo científico?
Referências em ABNT NBR 6023 ficam em ordem alfabética (ou em ordem de citação, se o sistema for numérico), com alinhamento à esquerda, sem recuo, com espaço simples entre linhas e espaço duplo entre referências. Cada tipo de fonte (livro, artigo, dissertação, site) tem um formato específico. A atualização de 2024 da NBR 6023 trouxe mudanças em como identificar documentos eletrônicos e capítulos de livro, então vale verificar a versão mais recente.

Leia também

Receba estratégias de escrita acadêmica direto no seu feed

Siga a Dra. Nathalia no YouTube e Instagram para conteúdo gratuito sobre o Método V.O.E.