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Conectivos para Texto Acadêmico: Lista e Como Usar

Lista de conectivos para texto acadêmico por função: adição, contraste, causa e conclusão, com orientação de quando e como usar cada um corretamente.

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Por que conectivos importam mais do que parecem

Toda pesquisadora já recebeu alguma versão deste comentário de orientador: “o texto está picado” ou “falta coesão”. Na maioria dos casos, o problema não é falta de conteúdo. É falta de relação explícita entre as ideias.

Conectivos são os elementos que sinalizam para o leitor a relação lógica entre o que foi dito e o que vem a seguir. São palavras ou expressões de ligação que indicam se a próxima ideia confirma, contraria, exemplifica, causa, decorre ou conclui a anterior. Sem eles, o texto vira sequência de afirmações justapostas. Com o uso errado deles, a relação entre as ideias fica distorcida.

A escolha do conectivo certo não é cosmética. É uma decisão sobre a lógica do argumento.

Conectivos de adição

Usados quando você está acrescentando informação à ideia anterior, sem contraposição.

Os mais comuns no texto acadêmico formal: além disso, ademais, também, do mesmo modo, de igual modo, igualmente, ainda, outrossim (formal, mais usado em textos jurídicos).

Além disso e ademais são praticamente intercambiáveis em nível de formalidade. Além disso é mais neutro e funciona bem no meio do argumento. Ademais tem tom ligeiramente mais categórico e aparece com frequência em conclusões parciais.

Também é correto e aceito, mas soa mais informal quando no início do parágrafo. Prefira além disso ou da mesma forma em posições de abertura.

Outrossim é aceito, mas está em desuso em textos científicos contemporâneos. Se aparecer no seu texto, considere trocar.

Conectivos de contraste e oposição

Usados quando a segunda ideia vai contra, limita ou qualifica a primeira.

Entretanto, no entanto e contudo funcionam de forma semelhante e são todos adequados ao texto acadêmico formal. A diferença entre eles é mínima do ponto de vista semântico. Na prática, variar os três ao longo do texto evita repetição.

Porém tem nível de formalidade ligeiramente abaixo dos três anteriores, mas ainda é aceito na maioria dos contextos acadêmicos.

Todavia tem tom mais literário e aparece com menos frequência em textos das ciências naturais e da saúde. Em textos de humanidades é comum.

Por outro lado funciona bem quando você está apresentando uma perspectiva alternativa, não necessariamente oposta. Não é para contradição direta, mas para apresentar outro ângulo do mesmo fenômeno.

Apesar de e embora introduzem uma oração subordinada concessiva, não uma oração independente. Erro comum: “Embora. Os resultados indicam…” A oração com “embora” precisa continuar na mesma frase: “Embora os resultados indiquem X, a análise do Estudo 2 sugere Y.”

Conectivos de causa e consequência

Quando você está explicando a causa de algo, use: porque, visto que, uma vez que, dado que, tendo em vista que, em razão de.

Porque é o mais simples e direto. Em texto acadêmico formal é aceito, mas visto que, uma vez que e dado que soam mais precisos em contextos de argumentação científica.

Quando você está indicando a consequência de algo, use: portanto, logo, assim, dessa forma, desse modo, em decorrência disso, consequentemente, por conseguinte.

Portanto é o mais usado para conclusão lógica. Logo tem o mesmo sentido mas funciona melhor em argumentos breves. Consequentemente é mais longo e adequado para contextos em que a cadeia causal é complexa.

Assim é versátil: funciona como conectivo de consequência e também de exemplificação. Isso cria ambiguidade quando usado sem cuidado. Prefira conectivos mais específicos quando a relação lógica é importante para o argumento.

Conectivos de exemplificação e especificação

Quando você vai dar um exemplo do que acabou de afirmar: por exemplo, a saber, como ilustração, entre os quais, dentre esses.

Por exemplo é o mais comum e sempre funciona. Pode ser abreviado como “p.ex.” em listas, mas por extenso no texto corrido.

A saber antecipa uma lista ou especificação. Geralmente aparece seguido de dois-pontos: “Os critérios de inclusão foram, a saber: faixa etária acima de 18 anos, diagnóstico confirmado e participação voluntária.”

Isto é e ou seja funcionam para esclarecer ou reformular o que foi dito. São diferentes de “por exemplo”: não exemplificam, reescrevem. Confundir os dois é um erro de lógica textual que passa despercebido mas enfraquece o argumento.

Conectivos de conclusão e síntese

Quando você está fechando um raciocínio ou sintetizando o que foi desenvolvido: em síntese, em suma, em conclusão, concluindo, portanto, assim sendo, diante do exposto, à vista disso.

Em síntese e em suma introduzem um resumo do que foi desenvolvido. São adequados para fechar seções longas ou retomar o argumento central.

Diante do exposto e à vista disso têm tom mais formal e aparecem com frequência em conclusões de dissertações e teses.

Portanto aparece aqui também porque serve tanto para consequência quanto para conclusão. No contexto de conclusão, geralmente encerra um argumento: “Os dados indicam X. Os dados do Estudo 2 confirmam X. Portanto, Y.”

Erros de uso que aparecem com frequência

Uso de “no entanto” para indicar causa. “O método foi aplicado. No entanto, os resultados foram positivos.” Se os resultados foram positivos por causa do método, o conectivo correto é “portanto” ou “assim”. “No entanto” indica contraste, não consequência.

Início de parágrafo com “Porém” ou “Mas” em excesso. Cada parágrafo começando com contraste passa a sensação de que o texto inteiro está em desacordo consigo mesmo. Reserve os conectivos de contraste para quando a oposição de ideias é o ponto central da passagem.

Uso de “além disso” para introduzir o argumento principal. “Além disso, este estudo contribui para a literatura ao…” Se essa é a contribuição central do artigo, não é um acréscimo. É o ponto. Começar com “além disso” diminui o peso do que vai ser dito.

Conectivos entre argumentos que não têm relação lógica. Se você conectou duas frases com “portanto” mas a segunda não decorre da primeira, o problema não é o conectivo. É a estrutura do argumento. O conectivo errado é sintoma, não causa.

Como o Método V.O.E. se aplica à escolha de conectivos

No Método V.O.E. (Visualizar, Organizar, Escrever), a fase de Organizar é onde você estrutura a relação entre as ideias antes de escrever o texto. Quando você sabe qual é a relação lógica entre cada par de ideias (causa, contraste, adição, conclusão), a escolha do conectivo fica imediata. O problema de usar o conectivo errado quase sempre vem de não ter decidido qual é a relação antes de escrever.

Revisar o uso de conectivos no texto pronto é uma etapa simples de auditoria: leia cada conectivo e pergunte se a relação que ele indica é de fato a relação entre as ideias. Se não for, troque o conectivo ou reestruture o argumento.

Fechamento

Conectivos não fazem o texto bom. Tornam explícita a lógica do texto que você já escreveu. Se as relações entre as ideias não estão claras, nenhum conectivo resolve isso.

O que esta lista faz é te dar o vocabulário para quando a relação está clara mas a palavra escapa. Faz sentido?

Para aprofundar a construção de argumentos no texto acadêmico, o Método V.O.E. tem mais sobre como organizar a estrutura antes de escrever. E se você está trabalhando num artigo ou dissertação específica, os recursos disponíveis têm materiais práticos de apoio.

Conectivos de tempo e sequência

Quando você está descrevendo etapas de um método, resultados em ordem cronológica ou progressão de argumentos, os conectivos temporais e sequenciais dão estrutura ao texto.

Para indicar início ou primeira etapa: primeiramente, em primeiro lugar, inicialmente, antes de tudo.

Para indicar continuidade ou próxima etapa: em seguida, depois, posteriormente, a partir disso, na sequência.

Para indicar etapa final ou conclusão de processo: por fim, finalmente, ao final, por último.

Atenção ao uso de finalmente e por fim: eles indicam que o que vem depois é o último elemento da lista ou do processo. Se você usou “finalmente” no meio de uma seção e depois trouxe mais dois parágrafos, o conectivo criou uma expectativa que o texto não cumpriu.

Conectivos de condição

Quando o argumento depende de uma condição ser verdadeira: se, caso, desde que, contanto que, na hipótese de que, uma vez que (no sentido condicional, não causal).

O cuidado aqui é com uma vez que, que tem dois sentidos: condicional (“Uma vez que os dados estejam disponíveis, a análise pode ser realizada”) e causal (“Uma vez que os dados foram coletados, procedeu-se à análise”). Os dois são corretos, mas o sentido muda. Em contextos ambíguos, prefira dado que para o sentido causal e desde que para o condicional.

Tabela de referência rápida por função

FunçãoConectivos principais
Adiçãoalém disso, ademais, também, igualmente
Contrasteentretanto, no entanto, contudo, porém, todavia
Causaporque, visto que, uma vez que, dado que
Consequênciaportanto, assim, logo, consequentemente
Exemplificaçãopor exemplo, a saber, isto é, ou seja
Conclusãoem síntese, em suma, diante do exposto
Sequênciaprimeiramente, em seguida, por fim
Condiçãose, caso, desde que, na hipótese de

Esta tabela serve para consulta rápida durante a revisão do texto. O objetivo não é substituir o julgamento sobre qual conectivo se aplica ao argumento, mas reduzir o tempo de busca quando o conectivo certo não vem imediatamente.

Perguntas frequentes

Quais são os principais tipos de conectivos para texto acadêmico?
Os conectivos para texto acadêmico se dividem por função: adição (além disso, ademais, também), contraste (entretanto, no entanto, por outro lado, contudo), causa e consequência (portanto, assim, logo, em decorrência disso), exemplificação (por exemplo, a saber, como ilustração) e conclusão (em síntese, em suma, conclui-se que). Cada função requer o conectivo adequado ao grau de formalidade e à relação lógica que você quer estabelecer.
Posso usar 'porém' e 'mas' em texto acadêmico?
'Porém' é adequado para texto acadêmico. 'Mas' é gramaticalmente correto, mas considerado informal demais para muitos contextos de produção científica formal. A distinção não é rígida e varia por área e periódico, mas em teses, dissertações e artigos de revistas A1/A2 a preferência tende para 'porém', 'entretanto' ou 'no entanto'.
Como evitar o uso excessivo de conectivos no texto acadêmico?
O excesso de conectivos torna o texto mecânico e soa artificial. A solução é verificar se a relação lógica entre as frases está clara sem o conectivo. Se estiver, o conectivo pode ser removido. Se não estiver, ele é necessário. Outra estratégia é variar a estrutura das frases em vez de usar conectivo no início de cada parágrafo.

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