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Como Escrever Resultados e Discussão no TCC e Dissertação

Saiba como escrever a seção de resultados e discussão no TCC, dissertação ou tese sem misturar os dois, com clareza e coerência com os objetivos.

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A seção que mais confunde na hora de escrever

Vamos lá. De todos os capítulos de um trabalho acadêmico, resultados e discussão são os que mais chegam com problemas de estrutura. Não porque o conteúdo falta, mas porque a pessoa não sabe exatamente onde termina um e começa o outro.

A confusão é compreensível. Os dois capítulos falam sobre os mesmos dados. A diferença está no que você faz com eles, e essa distinção é mais conceitual do que óbvia quando você está no meio da escrita.

Esse ponto faz muita diferença na avaliação da banca. Um capítulo de resultados que já interpreta, ou uma discussão que repete os dados em vez de analisá-los, sinaliza que a pesquisadora não separou as etapas do processo analítico. Faz sentido entender por que essa separação existe antes de sentar para escrever.

O que são resultados, de verdade

Resultados são o que os seus dados mostram. Sem julgamento, sem interpretação, sem conectar com o que a literatura diz. Você está descrevendo o que encontrou.

Em pesquisa quantitativa, isso normalmente significa tabelas, gráficos, frequências, percentuais, resultados de testes estatísticos. Você reporta os números com precisão. Se entrevistou 150 pessoas e 73% delas relatou X, você escreve isso. O porquê vem depois.

Em pesquisa qualitativa, os resultados costumam ser as categorias ou temas que emergiram dos dados, com trechos representativos das entrevistas ou dos documentos analisados. Você mostra o que os participantes disseram ou o que os textos revelaram. Ainda sem interpretar, apenas apresentando.

O critério é simples: se você precisou recorrer ao referencial teórico para escrever a frase, ela provavelmente pertence à discussão, não aos resultados.

O que é discussão, de verdade

Discussão é onde você interpreta. Você pega o que os dados mostraram e responde: o que isso significa? Por que isso acontece? Como isso conversa com o que outros pesquisadores já encontraram?

O movimento central da discussão é conectar seus achados com a literatura que fundamentou a pesquisa. Se você encontrou que X acontece em 73% dos casos, e um estudo anterior encontrou percentual semelhante, você dialoga com isso. Se seus resultados contradizem a literatura, você discute por que isso pode ter acontecido. Não é repetir o que os outros disseram, é posicionar seu achado dentro do campo.

Além disso, cada objetivo específico que você listou na introdução precisa de uma resposta na discussão. Se você se propôs a investigar A e B, a discussão precisa dizer o que você encontrou sobre cada um deles.

E as limitações entram aqui também. Seus dados não cobrem tudo, seu método tem fronteiras. Nomeá-las não enfraquece o trabalho. Faz o oposto: mostra que você tem clareza sobre o escopo do que está afirmando.

O erro mais comum: misturar as duas coisas

O problema mais frequente é o capítulo de resultados que já traz interpretação, ou a discussão que fica repetindo os dados em vez de analisá-los.

Isso acontece por alguns motivos. Um deles é que parece redundante apresentar um dado e depois voltar a ele. Por que não juntar tudo de uma vez? O problema é que juntar confunde o leitor sobre o que é achado e o que é análise. A banca precisa conseguir distinguir o que seus dados mostraram do que você concluiu a partir deles.

Outro motivo é que a pessoa não sabe o que fazer na discussão além de repetir o que acabou de dizer. Quando a discussão começa com “Como visto nos resultados, X aconteceu em 73% dos casos…”, está repetindo. A discussão deveria começar onde os resultados pararam: “Esse percentual está alinhado com o que Y e Z encontraram em contextos semelhantes, o que sugere que…”

O teste prático: leia só o capítulo de resultados. Você consegue entender o que a pesquisa encontrou sem precisar da discussão? Se sim, está correto. Agora leia só a discussão. Ela faz sentido sem repetir os dados na íntegra? Se sim, também está correto.

Integrar ou separar os capítulos

Em muitos programas de pós-graduação, a separação entre resultados e discussão é obrigatória. Em outros, especialmente em pesquisas qualitativas, é aceito ou até preferível integrar os dois em capítulos temáticos onde cada categoria de resultado vem acompanhada de sua análise.

O formato integrado funciona bem quando sua pesquisa tem múltiplas categorias ou temas e a análise de cada um é complexa o suficiente para que separar ficaria fragmentado. Você apresenta o tema, mostra os dados que o sustentam, e já discute o significado deles antes de passar para o próximo tema.

O formato separado funciona melhor quando sua análise é quantitativa e os resultados precisam ser apresentados com densidade antes da interpretação, ou quando a banca ou normas da instituição exigem explicitamente.

Confirme com sua orientação antes de decidir. Isso evita retrabalho.

Quando escrever cada seção

Existe uma tentação de deixar resultados e discussão para o final, depois de ter tudo coletado e analisado. Isso funciona, mas há uma estratégia melhor.

Escrever os resultados enquanto você ainda está próximo dos dados costuma produzir um texto mais preciso. Você lembra dos detalhes, dos contextos das entrevistas, das condições de coleta. Quando você deixa para escrever meses depois, parte dessa precisão se perde.

A discussão, por outro lado, se beneficia de alguma distância. Você precisa ter a análise completa para conectar tudo com a literatura e responder aos objetivos. Escrever a discussão antes de terminar a análise costuma gerar um texto que precisa ser refeito.

Uma abordagem que funciona bem é escrever os resultados em rascunho conforme a análise avança, e guardar a discussão para uma etapa posterior quando o quadro geral estiver mais claro. É exatamente o que a fase de Organização do Método V.O.E. propõe: cada etapa tem seu momento certo no processo.

O que a banca avalia nessa seção

Olha só: o que a banca observa em resultados e discussão não é se você encontrou o resultado “certo”. É se você entende o que encontrou e sabe o que fazer com isso.

Um resultados preciso mostra que você coletou e organizou bem. Uma discussão bem construída mostra que você dialoga com o campo, que entende as implicações dos achados e tem clareza sobre os limites do que está afirmando. Essa capacidade analítica é o que a pós-graduação treina, e essa seção é onde ela fica mais evidente.

Se está travada nessa parte e quer entender melhor como organizar o processo de escrita, os recursos aqui têm material específico sobre isso. E se quiser trabalhar a estrutura com mais método, o Método V.O.E. foi desenvolvido para exatamente esse momento.

Como organizar a escrita na prática

Antes de sentar para escrever, vale ter clareza sobre o que você vai apresentar em cada seção. Isso pode parecer óbvio, mas muita gente abre o documento sem essa clareza e acaba escrevendo ao mesmo tempo em que tenta organizar o raciocínio.

Para os resultados, liste o que você encontrou. Se for pesquisa quantitativa, quais são os principais achados dos seus testes ou análises? Se for qualitativa, quais categorias ou temas emergiram? Escreva isso como uma lista antes de transformar em texto corrido. Isso ajuda a garantir que você não vai misturar com a discussão.

Para a discussão, para cada resultado, anote: o que a literatura diz sobre isso? Como esse achado responde ao objetivo que propus? Existe alguma explicação alternativa? Esse exercício de mapeamento antes de escrever evita o caminho comum de ficar no meio da seção sem saber o que dizer a seguir.

A escrita flui melhor quando o pensamento já está organizado. Sentar para escrever e pensar ao mesmo tempo é a receita para o texto que não sai ou que sai confuso. Não é falta de habilidade, é falta de organização prévia.

Linguagem em resultados e discussão

Em resultados, a linguagem é descritiva e precisa. Você usa verbos que reportam: “os dados mostram”, “os participantes relataram”, “a análise identificou”, “o teste indicou”. Você evita verbos que já carregam interpretação, como “revelaram” ou “comprovaram”, porque esses sugerem uma conclusão que pertence à discussão.

Em discussão, a linguagem pode ser mais argumentativa. Você usa verbos que interpretam e conectam: “esse resultado sugere”, “isso está em consonância com”, “em contraste com o que Y propôs”, “uma possível explicação é”. A discussão é onde você como pesquisadora aparece, tomando uma posição analítica sobre o que os dados significam.

Não inventar: se você não tem como afirmar algo com base nos seus dados, não afirme. A discussão é interpretação, mas interpretação fundamentada. Ir além do que os dados sustentam enfraquece o trabalho e é um dos pontos que as bancas mais questionam.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre resultados e discussão no TCC?
Resultados apresentam o que os dados mostram, sem interpretação. Discussão interpreta esses dados à luz do referencial teórico e dos objetivos da pesquisa. Na prática: resultados descrevem, discussão explica o porquê e conecta com a literatura.
Posso juntar resultados e discussão no mesmo capítulo?
Depende da norma da sua instituição e do tipo de pesquisa. Em pesquisas qualitativas, muitas bancas aceitam capítulos integrados onde cada categoria de resultado já vem com sua discussão. Em pesquisas quantitativas, a separação costuma ser mais rígida. Confirme com sua orientação antes de escolher o formato.
Como evitar repetição entre resultados e discussão?
Nos resultados, reporte o que os dados mostram com precisão. Na discussão, não repita os números, conecte-os ao que a literatura diz e ao que seus objetivos propunham. Se a discussão está parecendo uma repetição, é sinal de que você está descrevendo de novo em vez de interpretar.

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