Como Escrever Considerações Finais em Dissertação e Tese
O que deve estar nas considerações finais de uma dissertação ou tese, como diferenciar de conclusão e os erros mais comuns nessa seção.
Considerações finais travam porque a pesquisadora não sabe o que elas precisam responder
Essa seção costuma ser a última a ser escrita e a primeira a ser devolvida para reescrita pela orientadora. Não por acaso: muita pesquisadora chega nas considerações finais exausta, com a sensação de que já disse tudo que tinha a dizer, e escreve um resumo disfarçado de fechamento.
Considerações finais são uma seção com função específica que não pode ser substituída por nenhuma outra parte da dissertação ou tese. Quando essa função não está clara, o capítulo final vira um texto que repete os resultados, lista as limitações de forma genérica e termina com “mais estudos são necessários” sem dizer que tipo de estudos.
Antes de escrever a primeira linha das suas considerações finais, você precisa responder a uma pergunta: o que minha pesquisa respondeu que não existia antes?
O que diferencia considerações finais de conclusão
Na tradição acadêmica brasileira, “considerações finais” e “conclusão” não são sinônimos, embora os termos sejam usados de forma intercambiável em alguns programas e normas.
Conclusão é o termo mais comum em artigos científicos, TCCs e trabalhos com delineamento experimental. Implica fechamento mais categórico: a pesquisa testou hipótese X, o resultado foi Y, portanto conclui-se Z. É adequado quando o desenho metodológico permite esse tipo de afirmação.
Considerações finais reconhece que a pesquisa, especialmente qualitativa, raramente permite afirmações definitivas. O termo sinaliza que o fechamento é reflexivo e contextualizado, não fechado. É mais compatível com dissertações e teses que trabalham com fenômenos complexos, múltiplos fatores ou abordagens interpretativas.
Verifique o que o manual do seu programa indica. Alguns exigem um dos dois; outros aceitam ambos. Em caso de dúvida, pergunte ao orientador antes de escrever.
O que as considerações finais precisam conter
Existe uma estrutura que aparece em dissertações e teses bem avaliadas, mesmo que em ordens ligeiramente diferentes. São cinco movimentos:
1. Retomada do objetivo Não é copiar e colar o objetivo da introdução. É reformular em linguagem de síntese, mostrando que você chegou ao final do percurso com a pergunta de pesquisa em mente. “Esta dissertação se propôs a investigar como X afeta Y no contexto Z. A análise dos dados permitiu…” é o tipo de abertura que funciona.
2. Resposta ao objetivo com base nos achados Este é o coração das considerações finais. Sem detalhar cada resultado (isso já foi feito no capítulo de resultados e discussão), você sintetiza o que os dados revelaram em resposta à pergunta original. Dois a três parágrafos que articulam os achados centrais de forma integrada, não fatiados por categoria.
3. Implicações dos achados O que esses resultados significam para a área? Para a prática? Para a teoria? Esse movimento transforma sua pesquisa de um estudo pontual em contribuição para um campo mais amplo. “Os achados sugerem que X deveria ser revisado na prática clínica de Y” ou “Essa evidência tensiona o pressuposto de Z, predominante na literatura” são exemplos do que funciona aqui.
4. Limitações do estudo Limitações reais, não genéricas. “O estudo tem limitações” não é limitação, é truísmo. Limitação é: “A amostra foi restrita a um único serviço de saúde do Sul do Brasil, o que limita a generalização dos achados para contextos com perfis socioeconômicos distintos.” Cada limitação apontada deve ser acompanhada do contexto que a explica.
5. Desdobramentos futuros Sugestões específicas para pesquisas que seu trabalho não respondeu mas tornou visíveis. Não “mais estudos são necessários”, mas “estudos longitudinais com acompanhamento de no mínimo dois anos permitiriam verificar se os padrões encontrados se mantêm após a intervenção.”
O erro mais comum: confundir síntese com repetição
O capítulo de considerações finais não é o lugar para repetir o que cada seção dos resultados já disse. Esse é o erro mais frequente e o que mais irrita orientadores e bancas.
A distinção é sutil mas importante: resultados descrevem o que os dados mostraram, ponto a ponto, com detalhamento. Considerações finais sintetizam o que o conjunto dos achados significa para a resposta à pergunta de pesquisa.
Uma forma de testar se você está repetindo ou sintetizando: se alguém que leu todo o seu trabalho puder pular as considerações finais sem perder nenhuma informação nova, você está repetindo. Considerações finais bem escritas acrescentam uma camada de integração e significado que não existia nos capítulos anteriores.
Como escrever considerações finais com o Método V.O.E.
O Método V.O.E. (Velocidade, Organização, Execução Inteligente) se aplica diretamente à escrita das considerações finais, especialmente porque essa seção tende a ser escrita num momento de cansaço da pesquisadora.
Velocidade: antes de abrir o documento, reserve 30 minutos para escrever em rascunho livre as respostas para essas três perguntas: O que minha pesquisa respondeu? O que ela não conseguiu responder? O que ela revelou que vale investigar depois? Esse rascunho se torna o esqueleto das considerações finais.
Organização: organize o texto em torno dos cinco movimentos descritos acima. Escreva cada um em um parágrafo separado, sem se preocupar com a transição ainda. Isso garante que cada função da seção está presente antes de você começar a polir o texto.
Execução Inteligente: escreva as considerações finais antes de revisar o resto da dissertação. Pode parecer contra-intuitivo, mas escrever o fechamento com clareza ajuda a identificar inconsistências nos capítulos anteriores que precisam ser ajustadas. A banca lê em sequência, mas você deveria revisar de trás para frente.
Por que a banca avalia as considerações finais com atenção especial
As considerações finais são onde a banca verifica se você entendeu o que fez. É possível executar uma coleta de dados competente, fazer análises corretas e ainda assim escrever considerações finais que mostram que você não compreendeu o significado dos seus próprios achados.
Bancas experientes leem a introdução e as considerações finais antes de ler o resto. Elas verificam: a pesquisadora consegue articular o que se propôs a fazer, o que encontrou e o que isso significa? Se as considerações finais respondem essas três perguntas com clareza e honestidade intelectual, o trabalho está bem encaminhado independente de eventuais problemas metodológicos nos capítulos do meio.
Considerações finais que mostram maturidade analítica podem reverter uma impressão inicial negativa. Considerações finais que confundem repetição com síntese ou que evitam as limitações reais do estudo confirmam dúvidas que a banca já tinha.
Uma orientação prática: após escrever o rascunho das considerações finais, peça para alguém que não leu o seu trabalho ler apenas essa seção. Se essa pessoa conseguir entender o que a pesquisa investigou, o que encontrou e por que isso importa, a seção está funcionando. Se ela ficar com dúvidas sobre qualquer um desses três pontos, é sinal de que o texto ainda precisa de ajuste.
Fechamento: escreva o que a pesquisa de fato respondeu
Considerações finais exigem honestidade antes de qualquer habilidade de escrita. A seção funciona quando a pesquisadora consegue dizer claramente o que aprendeu, o que ficou em aberto e o que vale a pena investigar depois.
Isso não exige que a pesquisa tenha resolvido tudo. Exige que você saiba o que ela resolveu. Uma dissertação ou tese bem concluída não é aquela que não tem limitações, mas aquela em que a pesquisadora conhece as próprias limitações e é honesta sobre elas. Essa honestidade, paradoxalmente, é o que dá credibilidade ao trabalho.
Se você quer estruturar a escrita da dissertação ou tese como um processo com etapas bem definidas, recomendo conhecer o Método V.O.E.. E se precisar de ferramentas práticas para a escrita acadêmica, a página de recursos tem o que você precisa para avançar. depois.
Isso não exige que a pesquisa tenha resolvido tudo. Exige que você saiba o que ela resolveu. Uma dissertação ou tese bem concluída não é aquela que não tem limitações, mas aquela em que a pesquisadora conhece as próprias limitações e é honesta sobre elas. Essa honestidade, paradoxalmente, é o que dá credibilidade ao trabalho.
Se você quer estruturar a escrita da dissertação ou tese como um processo com etapas bem definidas, recomendo conhecer o Método V.O.E.. E se precisar de ferramentas práticas para a escrita acadêmica, a página de recursos tem o que você precisa para avançar.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre conclusão e considerações finais em dissertação?
O que escrever nas considerações finais de uma dissertação?
Por que os orientadores pedem reescrever as considerações finais?
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