Como Citar Entrevista nas Normas ABNT: Guia Prático
Aprenda a citar entrevistas concedidas e transcritas nas normas ABNT, com modelos prontos para referências, citações no texto e casos especiais.
Citar entrevista na ABNT não é complicado, mas tem detalhes
Vamos lá. Você fez as entrevistas, transcreveu, analisou, e agora chegou na hora de colocar no texto. A dúvida aparece: como eu referencio isso? Entrevistado vai como autor? Coloco data de quando fiz ou de quando publiquei? E se for uma entrevista que eu assisti no YouTube?
Boa parte da confusão vem de um equívoco simples: as pessoas tentam encaixar a entrevista no modelo de livro ou artigo. Mas entrevista tem uma lógica própria na ABNT, e entender essa lógica resolve a maioria dos casos.
Nesse post vou cobrir os três tipos mais comuns de entrevista que aparecem em pesquisas acadêmicas e como citar cada um deles.
Por que entrevistas têm regras diferentes
O que define como citar qualquer fonte na ABNT é a natureza do documento e como ele foi publicado. Livro segue uma lógica. Artigo segue outra. Entrevista segue uma terceira, que varia conforme o contexto.
Uma entrevista pode ser um dado primário que você coletou (e ninguém mais tem acesso), uma entrevista publicada num jornal ou revista, ou uma entrevista gravada e disponível em plataforma de vídeo. Cada um desses casos tem implicações diferentes para a referência, porque o que muda é a acessibilidade do material, quem é o responsável pela publicação, e como o leitor poderia localizar a fonte.
Essa lógica de “quem publicou e onde” é o fio condutor de qualquer referência ABNT. Quando você entende isso, as variações fazem sentido.
Entrevistas que você realizou como pesquisadora
Esse é o caso mais comum em pesquisas qualitativas: você conduziu entrevistas, e essas falas aparecem na sua dissertação, tese ou artigo como dados primários.
A particularidade aqui é que o material não é público. Ninguém mais tem acesso a essa entrevista além de você e do entrevistado. Isso não significa que você pode dispensar a referência. Significa que a referência vai documentar a coleta, não a publicação.
O modelo padrão:
SOBRENOME, Nome do entrevistado. Entrevista concedida a [nome da pesquisadora]. Cidade, dia mês ano.
Exemplo:
FERREIRA, Ana Paula. Entrevista concedida a Nathalia Cavichiolli. Porto Alegre, 15 fev. 2025.
No corpo do texto, a citação funciona como qualquer outra: (FERREIRA, 2025). Se você quiser citar uma fala específica, inclui o número da linha na transcrição se tiver esse controle, ou não inclui número de página (entrevistas não têm paginação convencional).
Uma observação importante: verifique se o seu comitê de ética ou o programa de pós-graduação exige algum formato específico pra referenciar participantes de pesquisa. Algumas instituições pedem que participantes apareçam com nomes fictícios ou com identificadores (Entrevistada 1, E1, etc.). Nesse caso, o nome na referência segue o que foi acordado no TCLE.
Entrevistas publicadas em jornais, revistas e sites
Quando uma entrevista foi publicada num veículo, ela tem publicação verificável. Qualquer leitor pode acessar. Isso muda a referência: o entrevistado continua sendo a “voz” principal, mas o veículo é quem publicou.
O modelo geral:
SOBRENOME, Nome do entrevistado. Título da entrevista (se houver). Nome do veículo, cidade, data. Disponível em: URL. Acesso em: data.
Exemplo com título:
SANTOS, Carlos. A crise da pós-graduação no Brasil. Folha de S.Paulo, São Paulo, 3 mar. 2024. Disponível em: https://www.folha.com.br/… Acesso em: 20 abr. 2026.
Exemplo sem título (entrevista identificada apenas pelo tema ou pela seção):
OLIVEIRA, Luiza. [Entrevista]. Pesquisa Fapesp, São Paulo, n. 340, jun. 2024. p. 42-45.
Quando não há título explícito, o campo fica em branco ou você usa “[Entrevista]” entre colchetes como descrição, dependendo do padrão adotado pelo seu programa.
Entrevistas em vídeo: YouTube, podcast, documentário
Esse tipo de fonte aparece cada vez mais em pesquisas da área de educação e comunicação, e a referência segue a lógica de “obra audiovisual disponível online”.
O modelo:
SOBRENOME, Nome. Título do vídeo ou episódio. Nome do canal ou programa. Plataforma, data de publicação. Disponível em: URL. Acesso em: data.
Exemplo:
NUNES, Ricardo. Financiamento da pesquisa no Brasil. Ciência Aberta. YouTube, 12 jan. 2025. Disponível em: https://youtube.com/watch?v=… Acesso em: 18 abr. 2026.
Um ponto de atenção: se o vídeo for de um canal institucional (um canal da CAPES, por exemplo, com uma entrevista de especialista), você avalia se o “autor” é o canal institucional ou o entrevistado. A pergunta que ajuda a decidir: quem o leitor buscaria para localizar essa fonte? Geralmente é o canal que publicou.
Como citar no texto: o básico que não muda
Independente do tipo de entrevista, a citação no texto segue o mesmo padrão da ABNT: (SOBRENOME, ano) para citação indireta, ou “citação literal” (SOBRENOME, ano) para citação direta curta.
A diferença é que entrevistas raramente têm número de página que faça sentido referenciar, especialmente as que você realizou diretamente. Se você tem uma transcrição numerada, pode incluir a linha (FERREIRA, 2025, linha 47). Se não, (FERREIRA, 2025) já cumpre a função.
Faz sentido? O número de página existe pra ajudar o leitor a localizar o trecho. Quando isso não é possível por natureza do documento, você faz o que está ao seu alcance.
Entrevistas como apêndice ou anexo
Nas dissertações e teses, é comum incluir as transcrições das entrevistas como apêndice. Isso não substitui a referência, mas complementa. A transcrição no apêndice deixa o material acessível a quem avaliar o trabalho. A referência no corpo do texto indica a origem dos dados.
Quando há apêndice de entrevistas, você pode referenciar assim: (FERREIRA, 2025, Apêndice A) para indicar onde a transcrição está no seu próprio trabalho. Isso facilita muito a vida de quem lê, especialmente bancas que querem checar a fonte.
Um erro que aparece bastante
Muitas pesquisadoras citam a fala do entrevistado sem colocar referência, como se fosse senso comum ou como se a entrevista fosse parte implícita do trabalho delas. Não é. Cada trecho de fala atribuído a um participante precisa de referência, mesmo que você tenha coletado esse dado pessoalmente.
O raciocínio é o mesmo de qualquer outro dado: você precisa deixar claro de onde veio, quando foi coletado, e em que condições. Isso não é burocracia. É rastreabilidade da pesquisa.
Tem outro erro que aparece com frequência em qualificações: citar a mesma entrevista com datas diferentes ao longo do texto. Isso acontece quando o registro da coleta não foi padronizado desde o início, e a data que aparece na transcrição não bate com a que está anotada no diário de campo. A banca percebe. E quando percebe, levanta dúvida sobre o controle metodológico do estudo como um todo, não só sobre aquela referência.
Como o Método V.O.E. entra aqui
Na fase de Organização, uma das tarefas mais úteis é criar um protocolo de registro das entrevistas já no momento da coleta. Nome, data, cidade, modo de coleta, código de identificação. Se você já registra isso de forma padronizada desde o início, a referência no momento da escrita é só preencher o modelo.
Quem deixa pra organizar o registro depois da análise geralmente perde tempo tentando reconstruir informações que já tinha. O dado de entrevista é mais perecível que a maioria: participante pode não lembrar da data exata, você pode ter feito várias em sequência e misturado os detalhes. Registrar na hora custa nada. Recuperar depois custa caro.
Antes de fechar
Antes de fechar
A citação de entrevista na ABNT segue a mesma lógica de qualquer outra fonte: você identifica quem produziu, onde foi publicado (ou como foi coletado), quando, e como o leitor pode verificar. O modelo muda conforme o tipo, mas o princípio não muda.
Uma orientação prática pra pesquisadoras que trabalham com muitas entrevistas: crie uma planilha simples de registro de coleta com nome do participante, código de identificação, data, local, modo (presencial, videochamada, telefone) e nome do arquivo de transcrição. Isso elimina a chance de inconsistência na hora de escrever as referências.
Se você quiser ver mais sobre como organizar as referências da sua pesquisa qualitativa, vale dar uma olhada nos recursos disponíveis em /recursos, onde tem material sobre gerenciamento bibliográfico integrado ao fluxo de escrita.
O cuidado com as fontes é o que separa uma pesquisa sólida de uma que levanta dúvidas desnecessárias.
Perguntas frequentes
Como citar uma entrevista concedida nas normas ABNT?
Entrevista publicada em jornal ou site precisa de referência diferente?
Como citar no texto uma entrevista que eu mesmo realizei?
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