Normas ABNT 2026 para dissertação: o que mudou agora
Entenda o que mudou nas normas ABNT em 2026 para dissertações e teses e saiba como aplicar as atualizações na sua pesquisa.
Normas ABNT: o que é obrigatório entender antes de formatar
Vamos lá. Antes de qualquer explicação sobre o que mudou, é preciso acertar um equívoco que aparece direto nas orientações de pós-graduação.
A ABNT não produz um único documento chamado “normas ABNT para dissertação”. O que existe é um conjunto de normas técnicas diferentes, cada uma regulando um aspecto específico do trabalho acadêmico. Confundir isso é o que faz pesquisadores passarem horas procurando uma norma única que não existe.
As principais normas para quem está escrevendo uma dissertação ou tese são:
- NBR 14724 — estrutura dos trabalhos acadêmicos (capa, sumário, elementos pré e pós-textuais)
- NBR 6023 — referências bibliográficas
- NBR 10520 — citações no texto
- NBR 6028 — resumo e abstract
- NBR 6027 — sumário
Cada uma dessas normas tem sua própria versão e data de publicação. Quando sua banca pede “normas ABNT atualizadas”, está pedindo as edições mais recentes de cada uma delas.
O ciclo de atualização das normas ABNT
A ABNT revisa suas normas de forma periódica, mas não em uma data fixa. Uma norma pode ficar vigente por anos sem alteração e ser revisada de uma vez de forma significativa.
A NBR 6023, por exemplo, teve uma grande revisão em 2018 que mudou substancialmente a forma de citar — e ainda hoje existem orientadores que pedem o formato antigo porque aprenderam assim e não atualizaram.
Esse é o problema real que você vai encontrar: a norma vigente e o que o seu programa ou orientador efetivamente aceita podem ser coisas diferentes.
O passo mais prático é verificar três fontes antes de começar a formatar:
- O manual de normalização da sua própria instituição (se existir)
- As orientações do seu programa de pós-graduação
- As normas vigentes da ABNT
Quando houver conflito entre essas fontes, a hierarquia é: manual da instituição > orientações do programa > norma ABNT. Na prática, o que vai ser avaliado pela banca é o que a sua instituição define, não a norma técnica em abstrato.
O que a NBR 14724 define sobre estrutura
A NBR 14724 é a norma que regula a estrutura geral dos trabalhos acadêmicos: dissertações, teses, TCC, monografias. Ela define o que são elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
Elementos pré-textuais incluem capa, folha de rosto, folha de aprovação, dedicatória (opcional), agradecimentos (opcional), epígrafe (opcional), resumo em português, abstract em inglês, lista de figuras, lista de tabelas, lista de abreviaturas e sumário.
Elementos textuais são a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.
Elementos pós-textuais incluem referências (obrigatório), glossário (opcional), apêndice, anexo e índice (opcional).
As atualizações mais recentes da norma tendem a clarificar questões de apresentação que antes ficavam na interpretação: como tratar elementos opcionais, como formatar cabeçalhos em trabalhos em formato de artigos (teses em capítulos), como lidar com trabalhos bilíngues.
Se você está escrevendo uma dissertação em formato de artigos — estrutura cada vez mais comum na pós-graduação — vale verificar se a sua versão da norma orienta especificamente esse formato, porque a versão mais antiga era omissa nesse ponto.
Citações e referências: onde mora a maioria dos erros
A NBR 10520 (citações) e a NBR 6023 (referências) são as normas que causam mais dúvidas e também onde acontecem os erros mais frequentes.
Citações no texto seguem o sistema autor-data. O sobrenome do autor, o ano da publicação e a página (quando for citação direta) vão entre parênteses: (SILVA, 2020, p. 45).
Quando o nome do autor faz parte da frase, só o ano e a página ficam entre parênteses: “Silva (2020, p. 45) afirma que…”.
Dois autores: ambos os sobrenomes separados por ponto e vírgula. Três ou mais autores: primeiro sobrenome seguido de “et al.” (em itálico pela norma mais recente).
Nas referências, a ordem dos elementos segue: sobrenome do autor em maiúsculas, prenome abreviado ou completo, título em negrito (livros) ou sem destaque (artigos), nome da publicação, volume, número, páginas, ano.
Para artigos de periódico: SOBRENOME, Prenome. Título do artigo. Nome do periódico, v. X, n. X, p. X-X, ano.
O que muda entre versões é, muitas vezes, a pontuação, a ordem de alguns elementos em fontes digitais e como tratar recursos que não existiam quando a norma foi escrita — como publicações em repositórios institucionais, artigos de preprint e, mais recentemente, referências a ferramentas de IA.
Como citar IA nas referências: a lacuna da ABNT
Esse é um dos pontos que gera mais dúvida em pesquisadores que usaram ferramentas de inteligência artificial no processo de pesquisa e precisam declarar isso adequadamente.
Até a data desta publicação, a ABNT não publicou uma norma específica e consolidada para citação de IA generativa. O que existe são adaptações que diferentes instituições adotaram baseadas na NBR 6023 para documentos eletrônicos.
O modelo mais comum segue essa estrutura:
OPENAI. ChatGPT (versão GPT-4o). San Francisco: OpenAI, 2024. Resposta gerada para o prompt: “[descrever o prompt utilizado]”. Acesso em: dia mês ano.
Mas o que você realmente precisa fazer é verificar se a sua instituição publicou orientações específicas sobre isso. Muitas já publicaram. E se não publicou, pergunte ao seu orientador ou à biblioteca como o programa espera que você documente o uso de IA.
Não invente um formato sem verificar. Melhor assumir a incerteza do que criar uma citação que vai ser questionada na banca.
O post sobre como declarar uso de IA na dissertação traz um aprofundamento específico sobre transparência e documentação do uso de IA, que vai complementar o que vimos aqui sobre referências.
Margens, fonte e espaçamento: o que a norma define
A NBR 14724 define parâmetros de apresentação que variam pouco entre versões e são os mais fáceis de aplicar:
Margens: superior e esquerda com 3 cm; inferior e direita com 2 cm.
Fonte: tamanho 12 para o corpo do texto. Tamanho 10 para citações longas (mais de três linhas), notas de rodapé, numeração de páginas e paginação.
Espaçamento: 1,5 no corpo do texto. Espaço simples em citações longas, notas de rodapé, referências, legendas e ficha catalográfica.
Parágrafo: a norma não obriga o uso de recuo de parágrafo — você pode usar espaço entre parágrafos no lugar. Verifique o que sua instituição prefere.
Numeração de páginas: as páginas pré-textuais são contadas mas não numeradas. A numeração aparece a partir da introdução, colocada no canto superior direito.
Títulos e seções: primária em maiúsculas e negrito; secundária em minúsculas e negrito; terciária em minúsculas e itálico; quaternária em minúsculas sem destaque.
Se você está usando o Word ou o Google Docs, configurar um estilo de parágrafo desde o início economiza muito retrabalho lá na frente. Nada é mais frustrante do que formatar 200 páginas manualmente na véspera da entrega.
O manual de normalização da sua instituição
Muitas universidades brasileiras têm bibliotecas que publicam seus próprios manuais de normalização. Esses manuais interpretam as normas ABNT e adicionam orientações específicas do programa.
Esses manuais são ouro. Eles resolvem as ambiguidades que a norma ABNT deixa em aberto e já estão adaptados para o que a banca da sua instituição espera ver.
Procure no site da biblioteca da sua universidade por “manual de normalização”, “guia ABNT” ou “formatação de trabalhos acadêmicos”. Se não encontrar, pergunte à biblioteca — muitas vezes o documento existe mas não está indexado de forma visível.
Ter o manual da sua instituição e a norma vigente da ABNT lado a lado é a combinação que elimina a maioria das dúvidas de formatação.
Formatação não é o que vai reprovar sua dissertação
Faz sentido terminar com isso: formatação importa, mas não é o que vai fazer ou quebrar sua dissertação.
Banca reprova por problemas de método, de argumento, de coerência entre objetivos e conclusão, de revisão de literatura insuficiente. Não por margem de 2,8 cm em vez de 3 cm.
Isso não significa que você pode ignorar as normas. Significa que você deve dedicar um tempo definido para formatação, resolver isso de forma sistemática e não deixar que isso consuma energia que deveria ir para o conteúdo.
A regra prática: reserve o último terço do tempo de escrita para revisão de formatação. Antes disso, escreva. O Método V.O.E. funciona exatamente nessa lógica — primeiro você escreve e organiza o raciocínio, depois você refina e formata.
Norma ABNT correta com argumento fraco n