Como Tirar Histórico e Diploma Para o Mestrado
Aprovada no processo seletivo, a corrida por documentos começa. Veja o que pedir, onde pedir e como evitar atrasos na matrícula do mestrado.
Parabéns pela aprovação. Agora a burocracia começa.
Vamos lá. Você passou no processo seletivo. Boa notícia de verdade. Mas entre a aprovação e a matrícula efetiva, existe um espaço que surpreende muitas pessoas: a corrida por documentos.
Histórico escolar. Diploma. Certidão de conclusão. Documentos de identificação. Comprovante de proficiência em idioma. A lista varia por programa, mas quase sempre inclui documentação que precisa ser solicitada com antecedência porque não fica disponível de um dia para o outro.
Este post é para quem acabou de ser aprovada e quer organizar essa etapa sem susto de última hora.
Primeiro passo: ler o que o programa pede
Parece óbvio mas é onde começa a maioria dos problemas. Cada programa de pós-graduação tem sua lista específica de documentos para matrícula. Alguns pedem diploma original mais cópia autenticada. Outros aceitam cópia simples. Alguns exigem autenticação em cartório. Outros aceitam autodeclaração.
O edital do processo seletivo e o regulamento do programa são as fontes primárias para essa lista. Se não estiver claro, ligar ou enviar e-mail para a secretaria do programa antes de sair tirando tudo é mais eficiente do que tirar os documentos errados.
O tempo entre a divulgação do resultado e o prazo de matrícula costuma ser curto. Às vezes duas semanas. Às vezes menos. Quem já sabe o que precisa e inicia as solicitações imediatamente tem mais margem.
O histórico escolar: o que é e onde tirar
O histórico escolar é o documento que registra todas as disciplinas cursadas na graduação, com as notas e a situação (aprovada, dispensada, reprovada) de cada uma. É o retrato acadêmico do seu percurso de graduação.
Para tirar o histórico escolar da graduação, o caminho é a secretaria acadêmica (ou coordenação de registros) da universidade onde você se graduou. A maioria das universidades federais e estaduais disponibiliza o histórico pelo sistema acadêmico online — o portal do aluno ou sistema equivalente. Em alguns sistemas, você consegue gerar o PDF diretamente, com assinatura digital válida.
Se a universidade não tiver sistema online ou se o documento com assinatura digital não for aceito pelo programa, é necessário pedir na secretaria presencialmente ou por e-mail, o que pode levar dias ou semanas.
Guarde o histórico em formato PDF, com assinatura digital quando disponível. Alguns programas aceitam documentos digitais; outros ainda exigem impressão e autenticação. Verificar antes de ir ao cartório.
O diploma: a parte que costuma atrasar
O diploma de graduação é a prova formal de conclusão do curso, emitido pela instituição após o colação de grau e após todos os trâmites internos. O problema é que o prazo de emissão do diploma varia muito e frequentemente é longo.
Em muitas universidades federais, o diploma demora de seis meses a mais de um ano após a conclusão do curso para ser emitido. Isso acontece porque o processo envolve várias etapas administrativas, assinaturas e, em alguns casos, registro no órgão competente.
Se você ainda não tem o diploma da graduação — o que é comum para quem concluiu o curso nos últimos meses — o que fazer:
Verificar com a secretaria acadêmica em que etapa do processo o diploma está e qual o prazo previsto.
Solicitar a certidão de conclusão de curso ou declaração de conclusão. Esse documento é emitido pela instituição para atestar que você concluiu todos os requisitos do curso e está aguardando a emissão do diploma. Na maioria dos programas de mestrado, esse documento é aceito como substitutivo provisório do diploma.
Verificar com a secretaria do programa de mestrado se a certidão de conclusão é aceita e qual o prazo para apresentação do diploma original depois de emitido.
Autenticação: quando é necessária
Autenticação em cartório é o processo de validar que uma cópia é idêntica ao original. Custava tempo e dinheiro. A boa notícia é que desde 2019 a legislação brasileira permite autodeclaração de autenticidade — você pode assinar embaixo de uma cópia declarando que ela é idêntica ao original e isso tem validade legal.
Mas nem todos os programas aceitam autodeclaração. Alguns ainda exigem autenticação em cartório. Outros aceitam apenas documentos com assinatura digital (que já são originais por natureza). Verificar o que o programa aceita antes de gastar dinheiro em cartório.
Para documentos com assinatura digital — como históricos emitidos por sistemas com certificado ICP-Brasil — não é necessária autenticação adicional. O documento digital com assinatura válida já tem valor legal.
Documentos que vêm de outras instituições
Se você fez alguma disciplina isolada em outra universidade, ou se parte da sua formação foi em instituição diferente da que emitiu o diploma principal, pode ser necessário histórico das outras instituições também. Verificar o regulamento do programa.
Para quem cursou graduação no exterior, a situação pode ser mais complexa — às vezes é necessária a apostila de Haia (autenticação internacional) ou tradução juramentada. Nesses casos, o prazo se alonga significativamente e vale começar a solicitar imediatamente após a aprovação.
O que ter na pasta antes de ir à matrícula
Uma lista base que cobre a maioria dos programas, para ajustar conforme o edital específico:
Diploma de graduação original e cópia (ou certidão de conclusão, se o diploma não foi emitido). Histórico escolar completo da graduação, autenticado conforme o programa exige. Documento de identidade (RG) e CPF. Comprovante de proficiência em idioma, se exigido — geralmente inglês para a maioria das áreas, com certificado reconhecido. Foto 3×4 (alguns programas ainda pedem). Comprovante de residência. Dados bancários para eventual cadastro de bolsa.
Cada programa tem sua lista. Essa é apenas uma referência. Ler o edital é insubstituível.
Um aviso para quem está correndo contra o prazo
Se a data de matrícula está chegando e você ainda não tem todos os documentos, o primeiro passo é entrar em contato com a secretaria do programa — não esperar o prazo passar e perder a vaga.
A maioria dos programas tem alguma flexibilidade para documentos que dependem de terceiros (como o diploma que ainda não saiu). Mas essa flexibilidade precisa ser solicitada ativamente, com explicação do motivo e com os documentos substitutivos disponíveis. Silêncio não resolve.
Perder uma vaga por falta de documento que poderia ter sido resolvido com uma ligação é um dos erros mais evitáveis dessa fase. Vale a ligação.
O que guardar depois da matrícula
Depois de concluir a matrícula, vale organizar os documentos de forma que você consiga localizá-los depois. Durante a pós-graduação, eles aparecem de novo: para candidatura a bolsas, para congressos, para o processo de colação de grau do mestrado, para candidatura a estágio de doutorado.
Digitalizar tudo — com qualidade, não foto borrada de celular — e guardar em pasta organizada na nuvem é uma precaução simples que economiza tempo depois. Se você recebeu documentos com assinatura digital, guarde também os arquivos originais (não só o impresso), porque a validade jurídica está no arquivo digital.
Cópias autenticadas que você eventualmente tirou: guardar em papel e digital. Cartórios erram menos do que parece, mas acontece.
Para mais informações sobre o processo de entrada na pós-graduação, o blog tem posts sobre processo seletivo, o que esperar dos primeiros meses no mestrado e como organizar a documentação de candidatura. Os recursos disponíveis cobrem esse percurso de forma mais detalhada.