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Bolsa CAPES: tipos, valores e como conseguir em 2026

Como funcionam as bolsas CAPES de mestrado e doutorado, quais tipos existem e como a seleção acontece nos programas de pós-graduação.

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A bolsa CAPES não chega por edital público: entender isso muda tudo

Uma das confusões mais comuns entre pessoas entrando no mestrado é pensar que existe um edital público da CAPES para o qual você se candidata diretamente. Não funciona assim.

A CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) distribui cotas de bolsas para os programas de pós-graduação credenciados. O programa de pós-graduação, por sua vez, decide como alocar essas cotas entre seus alunos, com critérios próprios que variam de um PPG para o outro.

Entender essa estrutura é o primeiro passo para saber onde focar esforço quando você quer uma bolsa.


Tipos de bolsa da CAPES

Bolsa de mestrado doméstica: destinada a alunos de mestrado acadêmico em PPGs credenciados. É a bolsa mais comum na graduação de pesquisadores.

Bolsa de doutorado doméstica: destinada a alunos de doutorado em PPGs credenciados. Valor superior ao mestrado por conta da exigência de maior dedicação e tempo de formação.

Bolsa de pós-doutorado: para pesquisadores já doutores vinculados a projetos ou instituições específicas. Tem critérios diferentes das bolsas de mestrado e doutorado.

PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior): financia parte do doutorado em instituição estrangeira, geralmente de quatro a doze meses. Requer que o doutoramento principal seja feito no Brasil e que haja supervisão de um orientador no exterior. As chamadas têm periodicidade própria e exigem aprovação do PPG e da CAPES.

Programas internacionais: a CAPES mantém acordos bilaterais com agências de outros países (DAAD, COFECUB, Fulbright, entre outros) que financiam mobilidade acadêmica internacional. Cada programa tem edital próprio com requisitos e periodicidade específicos.

Bolsa de demanda social x excelência: as bolsas distribuídas via demanda social são as cotas alocadas diretamente aos PPGs para distribuição interna. As bolsas de excelência são destinadas a programas com nota mais alta na avaliação CAPES.


Como o programa de pós-graduação distribui as bolsas

Cada PPG tem sua cota de bolsas da CAPES, que pode variar bastante dependendo do conceito do programa na avaliação quadrienal (quanto maior o conceito, mais bolsas costuma ter) e do número de alunos matriculados.

A distribuição interna costuma seguir critérios como: desempenho acadêmico, coeficiente de rendimento, produção científica do aluno, tempo no programa, necessidade financeira em alguns casos, e decisão do colegiado ou da orientadora.

Esses critérios variam por programa e por área de conhecimento. O que é determinante em um PPG de ciências da saúde pode ter peso diferente em um PPG de ciências humanas.

Para saber como funciona no seu programa especificamente, o caminho é consultar o regulamento interno do PPG e, se não estiver claro, perguntar à secretaria ou à coordenação.


O que muda quando você é aluno com bolsa

Ter bolsa implica dedicação exclusiva ao programa, em geral. Isso significa que o aluno bolsista não pode ter vínculo empregatício formal durante o período da bolsa, com algumas exceções previstas nas normativas da CAPES (como exercício de atividades de docência em casos específicos).

Essa exigência é parte do contrato de bolsa. Infringir as condições de dedicação exclusiva pode resultar na suspensão ou devolução da bolsa. Se você está trabalhando e considera fazer o mestrado com bolsa, esse é um ponto que precisa ser tratado antes da candidatura.


Aluno sem bolsa tem desvantagem real

Ser aluno regular sem bolsa não é raro, mas implica uma realidade financeira mais difícil. A pós-graduação acadêmica stricto sensu (especialmente o mestrado e o doutorado) foi desenhada com a premissa de dedicação integral. Conciliar emprego em tempo integral com mestrado ou doutorado é possível, mas exige organização e tende a aumentar o tempo até a conclusão.

Alguns PPGs têm mais bolsas do que alunos, então todos os alunos recebem. Outros têm menos bolsas do que alunos, e a alocação é disputada. A nota do programa na CAPES é um indicador aproximado da disponibilidade de bolsas: programas com nota 5, 6 ou 7 tendem a ter mais recursos do que programas com nota 3.


CNPq como fonte alternativa de bolsas

Além da CAPES, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) também concede bolsas de mestrado e doutorado, principalmente vinculadas a projetos de pesquisa com fomento. Se a orientadora tem projeto aprovado pelo CNPq, pode ter bolsas para distribuir aos seus orientandos naquele projeto.

As bolsas CNPq de mestrado e doutorado em projetos específicos têm processo de solicitação diferente das cotas institucionais da CAPES. O acesso depende de estar vinculado a uma pesquisadora que tem esse tipo de financiamento aprovado.


Agências estaduais de fomento

FAPESP (São Paulo), FAPEMIG (Minas Gerais), FAPERJ (Rio de Janeiro), FAPESC (Santa Catarina) e as demais fundações estaduais de amparo à pesquisa também concedem bolsas de mestrado e doutorado. Cada uma tem seus editais, critérios de elegibilidade e valores próprios.

A FAPESP é historicamente a mais conhecida por seus valores de bolsa e pelo suporte à reserva técnica (recursos para material de pesquisa). Para pesquisadoras em São Paulo ou com orientadora no estado, as bolsas FAPESP são uma opção relevante a acompanhar.


Como consultar os valores atualizados

Os valores das bolsas CAPES são definidos por portaria ministerial e podem ser reajustados. Para consultar os valores vigentes em 2026, acesse:

  • capes.gov.br na seção de bolsas e auxílios
  • Portal da Legislação do MEC para as portarias vigentes
  • Diário Oficial da União para consultar portarias de reajuste

Publicar valores sem fonte verificada não é útil, porque os números mudam. O que não muda é a estrutura: mestrado tem valor menor que doutorado, pós-doutorado tem valor maior que doutorado, e sanduíche tem adicional para custear a estadia no exterior.


O papel da orientadora na conquista da bolsa

Em muitos PPGs, a orientadora tem influência direta na alocação das bolsas para seus orientandos. Professoras com projetos de pesquisa financiados, com boa produção acadêmica e com credibilidade no colegiado do programa tendem a ter mais facilidade de garantir bolsas para quem orientam.

Isso não significa que a bolsa é garantida por ter uma boa orientadora. Significa que a escolha da orientadora é uma decisão que vai além do interesse científico. A infraestrutura de pesquisa, a rede de colaborações e o histórico de financiamento são fatores que pesam na qualidade da experiência de pós-graduação como um todo, incluindo o acesso a bolsas.

Antes de ingressar no programa, conversar abertamente com a potencial orientadora sobre a situação de bolsas do grupo de pesquisa é uma prática legítima e recomendável.


Renovação da bolsa durante o curso

A bolsa não é automática do início ao fim do programa. Em geral, ela precisa ser renovada periodicamente com base no desempenho acadêmico do aluno: aprovação nas disciplinas, cumprimento do cronograma de pesquisa, participação nas atividades do grupo de pesquisa.

Alunos que ficam sem progresso documentado podem perder a bolsa ou tê-la suspensa. Os critérios de renovação são definidos pelo PPG e devem estar no regulamento interno. Quando a bolsa é de projetos específicos (CNPq ou agência estadual), os critérios de renovação podem seguir as regras do projeto financiador.


A bolsa não cobre todos os custos da pesquisa

Um ponto que muitos iniciantes não consideram: a bolsa paga o sustento do pesquisador, mas não cobre os custos da pesquisa em si. Material de laboratório, coleta de dados em campo, transcrição de entrevistas, participação em congressos, publicação de artigos em acesso aberto, todos esses itens têm custo.

Pesquisadoras que dependem exclusivamente da bolsa para pesquisa muitas vezes descobrem que precisam de financiamento complementar para executar o projeto. Programas de iniciação científica, reservas técnicas de projetos da orientadora, e editais de fomento à pesquisa de estudantes são fontes de recursos que valem ser exploradas desde o início do programa.

Perguntas frequentes

Como solicitar uma bolsa CAPES para o mestrado?
A CAPES não recebe solicitações diretas de estudantes. As bolsas são distribuídas aos programas de pós-graduação credenciados, que as alocam aos seus alunos conforme critérios próprios. Para ter acesso a uma bolsa, você precisa ser aluno regular de um PPG credenciado pela CAPES e seguir o processo de solicitação interno do seu programa.
Qual o valor da bolsa CAPES de mestrado?
Os valores das bolsas são definidos por portaria ministerial e podem ser atualizados. Para consultar os valores vigentes, acesse o site oficial da CAPES (capes.gov.br) ou o portal de legislação do MEC. Os valores foram reajustados em 2024 pela Portaria MEC 1.287/2023, e qualquer atualização posterior é divulgada no Diário Oficial.
Bolsa CAPES e CNPq são a mesma coisa?
Não. CAPES e CNPq são agências diferentes. A CAPES (vinculada ao MEC) foca na formação de pessoal de nível superior, principalmente bolsas de pós-graduação e avaliação de programas. O CNPq (vinculado ao MCTI) também concede bolsas de mestrado e doutorado, além de bolsas de pesquisa para pesquisadores formados. Ambas são fontes de financiamento para a pós-graduação, com processos distintos.

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