SEPEX UFSC: Como Participar e Apresentar Sua Pesquisa
Guia completo para participar da SEPEX UFSC: como submeter trabalhos, apresentar pesquisa em estandes, minicursos e rotas temáticas com segurança.
Apresentar pesquisa na SEPEX é diferente do que você imagina
Vamos lá. Se você nunca participou da SEPEX, o evento pode parecer intimidador. Uma semana inteira de atividades, centenas de trabalhos apresentados, público variado, minicursos, rotas temáticas. Parece muito.
Mas aqui está o que quem já passou por lá sabe: a SEPEX é, na prática, um dos ambientes mais gentis para apresentar pesquisa. Mais gentil do que a banca. Mais gentil do que o congresso nacional. O público é curioso, não hostil.
A 22ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC, realizada em outubro de 2025, teve tema “Planeta Água: Cultura Oceânica para Enfrentar as Mudanças Climáticas no meu Território” e reuniu trabalhos das mais diversas áreas. Foram mais de 3.700 vagas em minicursos gratuitos e a Feira de Ciências ficou aberta por três dias no Centro de Cultura e Eventos do campus.
Neste post, vou explicar como funciona a participação na SEPEX, o que você precisa saber para submeter seu trabalho e, principalmente, como apresentar pesquisa num formato de feira sem travar na primeira pergunta.
O que é a SEPEX e por que ela importa
A SEPEX (Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação) é o maior evento de divulgação científica da UFSC. Acontece anualmente, geralmente em outubro, e reúne pesquisas de todos os centros, cursos de graduação e programas de pós-graduação.
O evento tem uma função que vai além da vitrine acadêmica. Ele é, na prática, um exercício de comunicação pública da ciência. Apresentar seu trabalho para um estudante do ensino médio, para um professor aposentado, para um técnico administrativo que passa pelo corredor, é uma habilidade diferente e muito valiosa do que apresentar para banca.
Para pesquisadores em formação, a SEPEX oferece três coisas que difícil de conseguir em outros espaços: exposição para a comunidade, prática de comunicação sem nota, e a chance de ver como o seu tema ressoa com pessoas que não são da área.
Faz sentido investir nisso, mesmo que você já tenha outras apresentações no currículo.
Como funciona a estrutura do evento
A SEPEX tem algumas modalidades principais que coexistem durante a semana:
Feira de Ciências: os estandes ficam montados no Centro de Cultura e Eventos por três dias consecutivos, das 9h às 19h. Visitação livre, sem agendamento, gratuita. Grupos escolares costumam visitar com agendamento, mas o fluxo de visitantes espontâneos é contínuo.
Minicursos: aulas curtas de duas a quatro horas, sobre os mais variados temas, ministradas por docentes, discentes e técnicos da UFSC. As inscrições abrem com algumas semanas de antecedência pelo sistema sgsepex.ufsc.br. O limite de vagas varia por minicurso.
Rotas Temáticas: percursos guiados por laboratórios, museus e espaços específicos da UFSC, organizados por áreas temáticas. Requerem agendamento prévio. É uma das modalidades mais interessantes para quem quer conhecer pesquisas em curso de forma aprofundada.
Programação cultural e debates: palestras, mesas-redondas e atividades culturais que variam a cada edição.
Como submeter seu trabalho
O processo de submissão varia um pouco a cada edição, mas o fluxo geral segue esta lógica:
O sistema de inscrições e submissões da SEPEX fica em sgsepex.ufsc.br. Membros da comunidade UFSC acessam com o IdUFSC. Pessoas de fora da universidade precisam criar cadastro como novo usuário.
As submissões para apresentação de trabalhos geralmente abrem um mês ou dois antes do evento. As categorias mais comuns são: trabalho de iniciação científica, trabalho de extensão, dissertação/tese em andamento, projeto de pesquisa, e produto ou protótipo.
Cada categoria tem requisitos próprios. Em geral, você vai precisar de um resumo expandido (200-500 palavras), o título do trabalho, a área do conhecimento e o nome dos autores e orientadores.
Se o seu trabalho for aceito, você recebe as instruções para montagem do estande: dimensões do espaço, se há painel disponível, o que você pode trazer de material físico.
O site oficial sepex.ufsc.br tem os cronogramas de cada edição. Consulte sempre antes de planejar qualquer coisa.
Como apresentar no estande sem travar
Aqui é onde a maioria das pessoas subestima o desafio. Apresentar num estande de feira de ciências é diferente de apresentar em sala de aula ou em congresso.
No congresso, você tem 15 minutos cronometrados, uma plateia sentada, e as perguntas vêm no final. No estande, você tem fluxo contínuo de pessoas, cada uma com nível de conhecimento diferente, e as perguntas vêm a qualquer momento.
Algumas coisas que ajudam:
Monte um pitch de 2 minutos. Uma versão curtíssima do seu trabalho que qualquer pessoa consiga entender. Sem jargão técnico. A pergunta que esse pitch deve responder: “o que você estuda e por que alguém deveria se importar?” Pratique até ficar natural.
Adapte conforme o interlocutor. Se chega uma criança de 12 anos, você usa uma linguagem. Se chega um professor de outra área, você usa outra. Se chega alguém da sua área, entra nos detalhes metodológicos. Isso não é simplificar. É comunicar.
Tenha material visual que funcione sozinho. O pôster ou o painel do seu estande vai ser lido por pessoas que chegam quando você está ocupado com outra conversa. O material precisa comunicar o essencial sem você precisar explicar.
Prepare uma ou duas perguntas para engajar. “O que você já sabe sobre esse tema?” ou “Você já passou por algo parecido?” são formas de criar diálogo em vez de monólogo.
Cuide da sua energia. A Feira de Ciências dura três dias. Apresentar em pé por horas seguidas é cansativo. Organize-se com pausas, água, lanche. Parece detalhe, mas afeta muito a qualidade da sua presença.
A dimensão formativa que ninguém conta
Apresentar na SEPEX não é só “cumprir uma atividade”. É uma oportunidade real de aprender algo sobre sua própria pesquisa.
Quando você explica seu trabalho para alguém que não tem contexto nenhum da área, você descobre onde está a clareza e onde está a névoa. As perguntas “óbvias” de visitantes sem formação na sua área frequentemente revelam pontos cegos que seus pares não percebem porque também tomam como dado.
Isso é útil. Mais útil do que parece no momento.
No Método V.O.E., trabalhamos muito com a ideia de que comunicar a pesquisa faz parte do processo de produzi-la, não é um extra depois de pronta. A SEPEX é um exercício desse princípio no formato mais acessível possível.
Para pesquisadores de fora da UFSC
Vale saber: a SEPEX não é exclusiva para quem está na UFSC. Você pode participar como visitante mesmo sendo de outra universidade. E pode se inscrever em minicursos e rotas temáticas.
Se você está em Florianópolis ou na grande Floripa, reservar um dia para visitar a Feira de Ciências quando ela ocorrer é uma forma barata de estar em contato com pesquisas em andamento, conhecer pesquisadores, e eventualmente encontrar interlocutores para a sua própria área.
A ciência se fortalece no contato. Eventos como a SEPEX são uma das formas mais concretas e acessíveis de criar esse contato.
Para fechar
Participar da SEPEX é mais simples do que parece na primeira vez. O sistema de submissão é acessível, o ambiente da feira é acolhedor, e a experiência de apresentar para um público diverso é genuinamente formativa.
Se você é estudante de pós-graduação na UFSC, submeter um trabalho na próxima edição é um investimento de tempo que vale. Não pela linha do currículo. Pela prática de comunicar o que você pesquisa para pessoas que precisam entender, não apenas avaliar.
Acompanhe o calendário em sepex.ufsc.br e fique de olho nas datas de submissão. Elas costumam abrir com pouca antecedência.