Relatório ABNT: estrutura, formatação e exemplos
Entenda como estruturar um relatório pelas normas ABNT, quais elementos são obrigatórios e como formatar cada parte para cumprir os requisitos acadêmicos.
Relatório ABNT: por que a estrutura importa
Vamos lá. O relatório é um dos documentos acadêmicos mais versáteis: pode ser um relatório de estágio, um relatório de pesquisa, um relatório técnico de projeto, um relatório de atividades. Em todos os casos, a ABNT fornece as normas de apresentação.
A norma que rege os relatórios técnicos e científicos é a NBR 10719. Ela define como o documento precisa ser estruturado, quais elementos são obrigatórios, quais são opcionais e como cada parte deve ser apresentada.
Conhecer essa estrutura antes de escrever é o que diferencia um relatório que funciona de um relatório que precisa ser refeito. A estrutura não é burocracia: ela guia o leitor pelo documento de forma lógica e facilita a recuperação de informações específicas.
A estrutura básica de um relatório pela NBR 10719
A NBR 10719 organiza o relatório em três partes principais:
Elementos pré-textuais: vêm antes do texto principal. Orientam o leitor antes que ele mergulhe no conteúdo.
Elementos textuais: o conteúdo do relatório em si, organizado em introdução, desenvolvimento e conclusão.
Elementos pós-textuais: vêm após o texto principal. Incluem referências, anexos, glossário.
Elementos pré-textuais: o que precisa vir antes do texto
Capa (obrigatória)
A capa contém: nome da instituição (se aplicável), nome do autor ou autores, título do relatório, subtítulo se houver, número do volume se houver mais de um, local e ano.
A capa é o primeiro contato do leitor com o documento. Precisa ter as informações que identificam o relatório sem ambiguidade.
Folha de rosto (obrigatória)
A folha de rosto repete as informações da capa e acrescenta informações adicionais: a natureza do relatório (relatório de estágio, relatório técnico, relatório de pesquisa), a finalidade (apresentado como requisito para a disciplina X, por exemplo), o nome do orientador ou supervisor e a data de conclusão ou entrega.
Resumo em língua vernácula (quando exigido)
Um parágrafo de 150 a 500 palavras que apresenta os objetivos, a metodologia utilizada, os principais resultados e a conclusão. Seguido das palavras-chave.
Para relatórios técnicos mais simples, o resumo pode não ser exigido. Para relatórios de pesquisa e trabalhos que serão arquivados em repositórios institucionais, geralmente é obrigatório.
Sumário (obrigatório)
Lista de seções e subseções do relatório com as páginas correspondentes. O sumário precisa estar alinhado com os títulos que aparecem no texto, na mesma ordem e com a mesma numeração.
Outros elementos pré-textuais opcionais: errata, agradecimentos, lista de figuras, lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas.
Elementos textuais: o conteúdo do relatório
Introdução
A introdução apresenta o assunto do relatório, seus objetivos e a metodologia de forma resumida. Em relatórios de estágio, a introdução costuma contextualizar o ambiente onde o estágio foi realizado e os objetivos do período.
A introdução não entra nos resultados. Ela prepara o leitor para o que vai encontrar no desenvolvimento.
Desenvolvimento
O desenvolvimento é a seção principal do relatório. É onde fica todo o conteúdo: descrição das atividades realizadas, análise dos dados, resultados obtidos, discussão.
Não existe um formato único para o desenvolvimento: ele deve ser organizado de acordo com a natureza do relatório. Um relatório de pesquisa terá um desenvolvimento com metodologia, resultados e discussão. Um relatório de estágio terá seções descrevendo as atividades realizadas em cada período.
O desenvolvimento pode ser subdividido em quantas seções e subseções forem necessárias, cada uma numerada progressivamente:
1 PRIMEIRA SEÇÃO
1.1 Subseção da primeira seção
1.1.1 Subsubseção
2 SEGUNDA SEÇÃO
Títulos de seções primárias ficam em maiúsculas e negrito. Seções secundárias ficam em maiúsculas sem negrito. Seções terciárias ficam em letras minúsculas e negrito. A numeração usa algarismos arábicos.
Conclusão
A conclusão retoma os objetivos do relatório, apresenta as considerações finais sobre o que foi desenvolvido e aponta eventuais recomendações ou desdobramentos.
A conclusão não apresenta informações novas. Ela sintetiza o que foi demonstrado no desenvolvimento.
Elementos pós-textuais
Referências (obrigatória, quando houver citações)
Lista das obras citadas no texto, elaborada conforme a NBR 6023. Se o relatório não cita fontes externas, não há lista de referências.
Glossário (opcional)
Lista de termos técnicos usados no relatório com suas definições. Útil quando o documento usa jargão específico que pode não ser familiar a todos os leitores.
Apêndices e Anexos (opcionais)
Apêndices são documentos elaborados pelo próprio autor do relatório para complementar o conteúdo (questionários, formulários, roteiros de entrevista).
Anexos são documentos produzidos por terceiros incluídos para suporte (legislação, contratos, formulários institucionais).
Cada apêndice e anexo recebe uma letra identificadora: APÊNDICE A, APÊNDICE B, ANEXO A, ANEXO B.
Formatação do texto: os padrões ABNT
A NBR 10719 indica os padrões de apresentação:
Papel: A4 (210 x 297 mm).
Margens: superior e esquerda: 3 cm. Inferior e direita: 2 cm.
Fonte: Arial ou Times New Roman. Tamanho 12 para o texto. Tamanho 10 para citações longas, notas de rodapé e legendas.
Espaçamento: 1,5 para o texto principal. Espaço simples para citações longas, notas de rodapé e referências.
Parágrafo: recuo de 1,25 cm na primeira linha. Justificado.
Numeração de páginas: a partir da folha de rosto, mas visível a partir da primeira folha do texto (a capa não é numerada nem contada).
Citações no relatório: regras básicas
As citações em relatórios seguem a NBR 10520, assim como em outros documentos acadêmicos:
Citação indireta (paráfrase): quando você reelabora o conteúdo com suas próprias palavras. Cita-se o autor e o ano entre parênteses: (SILVA, 2020).
Citação direta curta: até 3 linhas. Fica entre aspas no corpo do parágrafo. Indica-se autor, ano e página: (SILVA, 2020, p. 45).
Citação direta longa: mais de 3 linhas. Fica em parágrafo separado, com recuo de 4 cm da margem esquerda, tamanho 10, espaço simples, sem aspas.
Relatório de estágio: particularidades
O relatório de estágio segue a mesma estrutura geral da NBR 10719, mas tem características específicas que muitas instituições definem em seus regulamentos próprios.
Na folha de rosto do relatório de estágio, geralmente aparecem: nome do estagiário, nome da empresa ou instituição onde foi realizado o estágio, nome do supervisor na empresa, nome do professor orientador na instituição de ensino e o período de realização.
O desenvolvimento geralmente inclui: apresentação da empresa ou instituição, descrição das atividades realizadas (cronológica ou por área de atuação), análise crítica das atividades em relação à formação acadêmica e aprendizagens registradas.
Se sua instituição tem um modelo próprio, ele tem prioridade. A NBR 10719 é o padrão geral, mas regulamentos institucionais podem especificar detalhes adicionais.
Erros comuns em relatórios ABNT
Não distinguir apêndice de anexo. Apêndice é produzido pelo autor do relatório; anexo é de terceiros. Misturar os dois, ou usar um quando deveria ser o outro, é um erro técnico recorrente.
Sumário desatualizado. Quando o texto é editado depois de o sumário ter sido feito, as páginas mudam. Sempre revisar o sumário depois de qualquer alteração no conteúdo.
Títulos de seção com ponto ao final. Títulos não levam ponto final. Esse erro passa despercebido facilmente.
Citações sem indicação de página. Citações diretas exigem a indicação da página. Omitir isso é um erro de referência que a banca percebe.
Conclusão que apresenta informações novas. A conclusão sintetiza, não inova. Se você tem informações novas na conclusão, elas estão no lugar errado: pertencem ao desenvolvimento.
Relatório e o Método V.O.E.
No Método V.O.E., o relatório aparece como um documento que precisa cumprir duas funções ao mesmo tempo: registrar o que foi feito e comunicar isso de forma clara para o leitor que não esteve presente no processo.
A confusão entre essas funções é comum: alguns relatórios documentam tudo com tanto detalhe que o leitor se perde, outros são tão sintéticos que perdem informações relevantes.
A fase de Organização do Método ajuda a definir o que precisa entrar no relatório, em qual nível de detalhe, antes de começar a escrever. Isso economiza tempo e reduz as revisões necessárias.
Fechamento
O relatório ABNT tem estrutura previsível por uma boa razão: ela funciona. Quando cada elemento cumpre sua função, o documento é mais fácil de ler, de avaliar e de arquivar.
O primeiro passo antes de qualquer relatório: ler o regulamento do processo seletivo ou da disciplina que exige o documento. As normas ABNT são o piso, não o teto. Cada contexto pode ter requisitos adicionais.
Para mais recursos sobre formatação e escrita acadêmica, consulte /recursos.