Método

Qualis CAPES 2026: O Que É e Como Consultar

Entenda o que é o Qualis CAPES, como funciona a classificação dos periódicos, para que ele serve na prática e como consultar a classificação de uma revista.

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O Qualis CAPES na prática: por que você precisa entender isso

Vamos lá. Se você está na pós-graduação no Brasil, o Qualis vai aparecer cedo ou tarde nas conversas com o seu orientador, nas reuniões de grupo de pesquisa e nos formulários de avaliação do programa.

A dúvida mais frequente não é “o que é” — a maioria sabe que é uma classificação de revistas. A dúvida é: “como funciona na prática? Por que o mesmo periódico tem Qualis diferente em áreas diferentes? O que mudou com a nova metodologia?”

Essas são as perguntas que esse post responde.

Como o Qualis funciona: a lógica do sistema

O Qualis classifica periódicos científicos em estratos que vão de A1 (maior relevância) até C (relevância muito baixa) ou “sem classificação”. A hierarquia é: A1 > A2 > A3 > A4 > B1 > B2 > B3 > B4 > C.

Esse ranqueamento é usado pela CAPES na avaliação quadrienal dos programas de pós-graduação. A produção bibliográfica dos professores e alunos dos programas é pontuada conforme o Qualis dos periódicos onde publicaram. Programas com mais publicações em periódicos A1 e A2 tendem a ter melhor avaliação.

Por que o mesmo periódico tem Qualis diferentes em áreas diferentes? Porque cada área define sua própria classificação com base na relevância do periódico para aquele campo. A revista “Nature”, por exemplo, tem classificação A1 em ciências biológicas, mas pode ter classificação diferente em humanidades — porque seu impacto não é igualmente distribuído entre as áreas. Isso significa que ao publicar, o que importa é o Qualis do periódico na sua área específica, não em outra.

Qualis Referência: o que mudou

Antes do ciclo 2017-2020, cada área da CAPES tinha uma comissão de especialistas que classificava manualmente os periódicos. O processo era inconsistente entre áreas e gerava distorções — o mesmo periódico internacional podia ser A1 em uma área e B2 em outra, sem critério claro.

A partir de 2020, a CAPES passou a adotar o Qualis Referência para a maioria das áreas. A nova metodologia usa como base os índices bibliométricos publicados pelo Scopus (CiteScore) e pelo Web of Science (Journal Impact Factor / JIF). A partir desses índices, os periódicos são classificados em quintis (Q1 a Q5) globalmente, e esse posicionamento é traduzido em estratos Qualis.

Na prática, isso significa que:

Periódicos bem indexados internacionalmente (Scopus, Web of Science) tendem a ter classificações A1 e A2. Periódicos nacionais com boa indexação ficam em A3-B1. Periódicos sem indexação nas principais bases ou com baixo índice bibliométrico ficam nos estratos mais baixos.

Para pesquisadores que publicavam em revistas nacionais de boa reputação mas baixa visibilidade internacional, o Qualis Referência pode ter representado uma queda na classificação dos periódicos onde publicavam. Para outros, especialmente nas áreas mais internacionalizadas, a nova metodologia foi mais transparente e previsível.

Como consultar o Qualis de um periódico (passo a passo)

  1. Acesse a Plataforma Sucupira: sucupira.capes.gov.br
  2. No menu, localize “Qualis Periódicos” ou use a busca do site
  3. Escolha a área de avaliação (sua área específica — Medicina, Educação, Ciência da Computação, etc.)
  4. Escolha o período de avaliação (o mais recente disponível)
  5. Busque pelo ISSN do periódico (mais preciso) ou pelo nome

O resultado mostra o estrato do periódico naquela área. Se o ISSN não aparecer, o periódico não tem classificação para aquela área naquele período.

Dica prática: Antes de submeter um artigo, consulte o Qualis do periódico na sua área para saber o peso que essa publicação terá na avaliação do seu programa. Isso também informa a decisão sobre onde submeter.

O Qualis na avaliação dos programas de pós-graduação

Cada programa de pós-graduação é avaliado pela CAPES a cada quatro anos. Nessa avaliação, a produção bibliográfica é um dos critérios principais.

Os artigos publicados pelos docentes permanentes do programa são contabilizados e pontuados conforme o Qualis. Programas com nota mais alta (5, 6 e 7) precisam de produção consistente em periódicos A1 e A2. Programas que querem crescer na avaliação precisam aumentar a proporção de publicações nesses estratos superiores.

Isso tem implicações diretas para orientandos: orientadores com pressão para publicar em A1/A2 vão cobrar que artigos derivados da dissertação ou tese sejam submetidos a periódicos de alto Qualis. E isso, por sua vez, afeta o tempo de publicação — periódicos de alto Qualis têm processos de revisão mais longos.

O que o Qualis não diz

O Qualis é um indicador de relevância do periódico para a área, não uma medida da qualidade do artigo específico que você publicou. Um artigo fraco publicado em A1 continua sendo um artigo fraco. Um artigo excepcional publicado em B2 continua sendo excepcional.

Esse é um ponto importante de se manter em mente: a pressão por publicações em alto Qualis pode levar à estratégia de submeter o artigo para a “melhor revista possível” sem considerar se aquela revista é a mais adequada para o público que deveria ler a pesquisa.

Para pesquisas com aplicação prática, publicar em um periódico de Qualis menor mas muito lido pelos profissionais da área pode ter mais impacto real do que publicar em um A1 que só pesquisadores de alta excelência acadêmica leem.

Isso não é argumento para ignorar o Qualis — é argumento para não deixar que ele seja o único critério na decisão de onde publicar.

Outros indicadores que complementam o Qualis

Para ter uma visão mais completa da relevância de um periódico, é útil conhecer outros indicadores além do Qualis:

Fator de Impacto (JCR/Web of Science): mede o número médio de citações recebidas por artigos publicados no periódico nos dois anos anteriores. É a base do Qualis Referência para periódicos WoS.

CiteScore (Scopus): similar ao Fator de Impacto, mas calcula citações em 4 anos e inclui mais periódicos. Também base do Qualis Referência.

SJR (SCImago Journal Rank): índice do Scopus que leva em conta o prestígio das fontes que citam. Permite acesso gratuito em scimagojr.com.

h5-index (Google Scholar Metrics): índice de citações baseado nos últimos 5 anos, disponível para periódicos indexados no Google Scholar.

Para a maioria das decisões sobre onde publicar, o Qualis da sua área combinado com o CiteScore ou Fator de Impacto é informação suficiente. Os outros indicadores são úteis para refinamentos.

Se você quer entender melhor como construir uma trajetória de publicações que faça sentido para a sua área e os seus objetivos acadêmicos, a seção de recursos tem materiais complementares. E para quem está no começo da pesquisa, o Método V.O.E. ajuda a pensar a escrita acadêmica de forma estratégica desde o início.

Qualis e a bolsa de produtividade: qual a relação?

Para pesquisadores que almejam a bolsa de produtividade (PQ) do CNPq, o Qualis dos periódicos onde publicaram é um dos critérios de avaliação. A progressão de nível (PQ2 → PQ1D → PQ1C → PQ1B → PQ1A) exige um histórico crescente de publicações em estratos mais altos.

Isso significa que o Qualis importa não apenas para a avaliação do programa, mas para a construção da carreira acadêmica individual. Entender como o sistema funciona ajuda a planejar a trajetória de publicações de forma mais intencional.

Para doutorandos e mestrandos: a maioria das bolsas de produtividade é para pesquisadores já doutores e com carreira estabelecida. Mas publicar em periódicos de bom Qualis durante o doutorado já constrói o histórico que vai contar no futuro.

Como o Qualis aparece na seleção para o mestrado e doutorado

Em muitos processos seletivos de pós-graduação, especialmente para programas 6 e 7, a produção acadêmica prévia do candidato é avaliada. Nesse contexto, ter uma publicação (ou uma submissão em andamento) em periódico com Qualis A ou B no currículo Lattes conta pontos.

Para quem está na graduação e pensa em entrar no mestrado com um diferencial, publicar um artigo derivado da iniciação científica ou do TCC em um periódico indexado é uma estratégia válida. O Qualis do periódico escolhido vai determinar o peso dessa publicação na avaliação.

Publicar leva tempo. Mesmo artigos aceitos podem levar de 6 a 18 meses para aparecer publicados. Planejar a submissão com antecedência, antes de precisar usar a publicação em um currículo, é mais eficaz do que submeter às pressas.

Perguntas frequentes

O que é o Qualis CAPES e para que serve?
O Qualis CAPES é um sistema de classificação de periódicos científicos usado pela CAPES para avaliar a produção bibliográfica dos programas de pós-graduação no Brasil. Cada periódico recebe uma classificação de A1 (mais alto) a C (mais baixo) ou 'sem classificação'. Essa classificação afeta diretamente a pontuação do programa e, indiretamente, a avaliação de pesquisadores, a distribuição de bolsas e o ranqueamento dos programas.
Como consultar o Qualis de um periódico?
A consulta é feita na Plataforma Sucupira da CAPES (sucupira.capes.gov.br). Acesse a seção 'Qualis Periódicos', escolha a área de avaliação e o período, e busque pelo ISSN ou pelo nome da revista. Importante: o Qualis é específico por área — um mesmo periódico pode ter classificações diferentes em áreas diferentes.
O Qualis mudou com a nova avaliação da CAPES?
Sim. A partir do ciclo avaliativo 2017-2020, a CAPES passou a utilizar o Qualis Referência, baseado nos índices bibliométricos das revistas (CiteScore do Scopus e JCR do Web of Science). Antes, a classificação era feita manualmente por comissões de cada área. Com a nova metodologia, houve mudanças significativas na classificação de muitos periódicos — revistas que eram A1 em determinadas áreas podem ter sido rebaixadas ou reclassificadas.
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