Como Formatar Figuras em Trabalhos Acadêmicos ABNT
Aprenda a inserir, formatar e legendar figuras em trabalhos acadêmicos seguindo as normas ABNT. Fonte, numeração, lista de figuras e exemplos práticos.
Figuras que parecem certas e não estão
Faz sentido? Você passou meses escrevendo a dissertação. Os dados foram analisados, o texto foi revisado, as referências estão formatadas. Aí chega o momento de inserir os gráficos, mapas e imagens — e você percebe que não sabe exatamente como a ABNT quer que isso apareça.
Legenda vai antes ou depois? A fonte fica onde? Como numerar? Se tirei de outro lugar, como indicar?
Esse post responde essas perguntas com exemplos práticos para os casos mais comuns.
O que a ABNT chama de “figura”
Pela NBR 14724, a categoria “figura” é abrangente. Inclui: gráficos, fotografias, mapas, desenhos, fluxogramas, esquemas, organogramas, e qualquer elemento ilustrativo que não seja tabela ou quadro.
Tabelas e quadros têm normas específicas. Figuras são todo o resto.
A estrutura correta de uma figura na ABNT
A sequência correta é:
- Identificação (acima da figura): a palavra “Figura” seguida do número sequencial e um travessão, depois a legenda descritiva.
- A figura em si
- Fonte (abaixo da figura): indicação de onde a figura veio.
O erro mais comum é colocar tudo abaixo da figura. A norma é clara: identificação e legenda ficam acima.
Formato da identificação
Figura 1 — Distribuição de respondentes por área de formação
O número é sequencial ao longo de todo o trabalho. Se um capítulo tem 3 figuras e o próximo começa, a numeração continua de onde parou (Figura 4, Figura 5…). Não reinicia por capítulo.
O travessão que separa o número da legenda pode ser um traço médio, mas não precisa ser obrigatoriamente um em-dash — qualquer separador claro funciona desde que mantido com consistência.
Formato da fonte
A fonte vai imediatamente abaixo da figura, alinhada à esquerda, com tamanho de fonte menor (a convenção é 10pt, mas verifique o padrão do seu programa).
Figuras do próprio autor:
Fonte: Elaborada pela autora (2024). ou Fonte: Elaborado pelo autor (2024).
Figuras adaptadas de outra fonte:
Fonte: Adaptado de SOBRENOME (2022, p. XX).
Figuras reproduzidas de outra fonte:
Fonte: SOBRENOME (2022, p. XX).
Quando você reproduz uma figura de outra fonte sem alteração, é necessário informar a fonte completa. Se adaptou a figura, indica-se “Adaptado de” seguido da referência.
Gráficos: figuras especiais?
Não — gráficos são tratados como figuras pela ABNT. A mesma estrutura se aplica: identificação acima, gráfico, fonte abaixo.
O título do eixo e a legenda interna do gráfico fazem parte do elemento visual e não substituem a identificação e fonte externos.
A lista de figuras
Trabalhos com três ou mais figuras devem ter uma lista de figuras nos elementos pré-textuais, antes do sumário ou depois, dependendo da norma do programa.
A lista de figuras apresenta: número da figura, legenda e número da página. Ela é gerada automaticamente no Word quando você usa legendas inseridas via “Inserir Legenda” (não quando você digita manualmente o texto da legenda).
Se você digitou as legendas manualmente no texto, precisará criar a lista de figuras também manualmente — ou refazer as legendas usando o recurso correto do Word.
Numeração alternativa por capítulo
Alguns programas aceitam numeração de figuras por capítulo, no formato 1.1, 1.2, 2.1, 2.2. Essa numeração é mais comum em dissertações e teses longas. Verifique se o seu programa permite ou exige esse formato — a ABNT não proíbe, mas a norma padrão é a numeração sequencial contínua.
Figuras que não cabem numa página
Figuras grandes que ocupam mais de uma página devem ter a identificação na primeira parte, com a indicação “(continua)” ao final, e “(conclusão)” ou “(continuação)” no início da parte seguinte, com a identificação repetida.
Direitos de imagem
Um ponto que raramente é abordado nos guias de formatação: quando você usa uma figura de outra fonte, além de indicar a fonte na referência, você precisa ter permissão para reproduzi-la — especialmente se o trabalho for publicado (como artigos e livros).
Para trabalhos acadêmicos internos (TCCs, dissertações defendidas mas não publicadas), a questão de direitos é menos restrita na prática, mas a boa prática é sempre indicar a fonte e usar preferencialmente figuras com licença livre (Creative Commons) ou de produção própria.
Como referenciar figuras dentro do texto
Uma parte que muitos esquecem: toda figura precisa ser mencionada no texto antes de aparecer. Você não insere uma figura solta — você a apresenta, discute e depois ela aparece (ou logo depois, ou na página seguinte).
A forma correta de referenciar é: “conforme a Figura 3”, ou “como pode ser observado na Figura 3”, ou simplesmente “(ver Figura 3)”. A referência dentro do texto usa o número da figura, não apenas o termo genérico “a figura abaixo” ou “a imagem a seguir” — porque a posição da figura no documento pode mudar durante a diagramação.
Esse ponto é especialmente importante quando você faz a última revisão antes de entregar: verifique se cada figura está sendo referenciada no texto com seu número correto, e se o número que aparece no texto corresponde ao número que aparece na identificação da figura.
Qualidade visual da figura
A ABNT não define resolução mínima de imagem, mas o bom senso e as exigências de banca indicam que figuras pixeladas ou borradas criam problema. Para trabalhos impressos, a recomendação geral é 300 DPI (dots per inch). Para trabalhos entregues apenas em PDF, 150-200 DPI costuma ser suficiente para boa visualização.
Figuras copiadas de sites ou de artigos com baixa resolução muitas vezes ficam borradas quando impressas. Se a fonte original não tem alta resolução, vale considerar recriar o gráfico ou a figura com seus próprios dados e ferramentas — o que também resolve a questão de direitos de imagem.
Figuras vs. quadros vs. tabelas: a distinção que importa
Essa confusão aparece bastante. A ABNT distingue:
Figuras: qualquer elemento visual que não seja tabela ou quadro. Inclui gráficos, mapas, fotografias, fluxogramas, organogramas, esquemas.
Tabelas: apresentação de dados numéricos em linhas e colunas, com bordas abertas nas laterais. Os dados são dinâmicos — resultados de análise, valores que variam.
Quadros: apresentação de informações textuais ou mistas em linhas e colunas, com bordas fechadas em todos os lados. O conteúdo é mais descritivo do que numérico.
A formatação de tabelas e quadros tem normas próprias, diferentes das figuras. Confundir os três tipos — ou chamar um quadro de tabela — é um erro que aparece com frequência em trabalhos acadêmicos e que revisores e bancas identificam.
Como fazer a legenda ser descritiva
A legenda de uma figura não é apenas um título. Ela deve permitir que o leitor entenda o que está vendo sem precisar ler o texto ao redor.
Uma legenda boa: Figura 2 — Distribuição dos participantes por faixa etária e nível de escolaridade (n = 127)
Uma legenda fraca: Figura 2 — Gráfico dos participantes
A diferença é a informação que a legenda carrega. No primeiro caso, o leitor sabe o que o gráfico mostra, qual a variável representada e o tamanho da amostra. No segundo, a legenda não acrescenta nada que o leitor não pudesse inferir olhando para a figura.
Legendas mais descritivas também ajudam nos mecanismos de busca quando o trabalho é indexado em repositórios digitais — o que tem se tornado mais relevante com a indexação de dissertações e teses em bases de dados acadêmicas.
Resumo prático para conferir antes de entregar
Antes de fechar o arquivo para entrega, passe por cada figura e verifique:
A identificação está acima da figura, com o número correto na sequência? A legenda é descritiva e permite entender o que a figura mostra? A fonte está indicada abaixo, no formato correto para o tipo de origem? A figura está referenciada no texto pelo número? A qualidade visual está adequada para impressão ou leitura em tela? A lista de figuras nos pré-textuais está atualizada com as páginas corretas?
Esses pontos cobrem a maioria dos erros de formatação de figuras que aparecem em trabalhos acadêmicos. Não são exigências por capricho — cada elemento existe para que o leitor consiga entender o que está vendo, saber de onde vem, e localizar no trabalho quando precisar. Isso é o fundamento da apresentação de dados em qualquer texto científico.