DOI, ISSN e ISBN: O Que São e Para Que Servem
Entenda o que são DOI, ISSN e ISBN, para que cada identificador serve na publicação científica e como usá-los corretamente nas suas referências.
Já ficou sem saber o que colocar na referência por causa desses códigos?
Olha só: você está montando a lista de referências do seu artigo ou dissertação, chega em um DOI que parece uma URL gigante e fica em dúvida se coloca o número, o link completo, ou os dois. Ou você vê um artigo com dois ISSNs diferentes e não sabe qual usar. Ou alguém pede para conferir o ISBN de um livro e você não sabe nem onde encontrar.
Esses identificadores causam uma confusão desproporcional ao que são. No fundo, cada um deles faz uma coisa simples e específica. Entender o papel de cada um resolve a maior parte das dúvidas de citação e referência de uma vez por todas.
DOI: o endereço permanente de um documento digital
DOI vem de Digital Object Identifier, identificador de objeto digital. Ele foi criado para resolver um problema muito concreto: URLs mudam. Sites são redesenhados, artigos migram de plataforma, editoras são adquiridas por outras. O link que você colocou na sua referência hoje pode não funcionar em dois anos.
O DOI resolve isso porque ele não é uma URL: ele é um código único atribuído ao documento que permanece o mesmo independente de onde o arquivo esteja hospedado. O sistema DOI mantém uma tabela que aponta de cada código para o endereço atual do documento. Quando o arquivo muda de lugar, só a tabela é atualizada, mas o DOI continua o mesmo.
Um DOI tem um formato padrão. Começa com o prefixo 10 (que identifica o sistema DOI), seguido por um ponto, depois o número do registrante, uma barra, e o número específico do documento. Algo como: 10.1000/xyz123.
Para citar um artigo com DOI nas suas referências, você pode colocar o DOI no formato de URL: https://doi.org/10.1000/xyz123. Esse formato é o mais recomendado atualmente porque permite que qualquer pessoa acesse o documento clicando no link, sem precisar saber em qual base de dados o artigo está indexado.
Nem todo artigo tem DOI. Publicações mais antigas, antes do sistema se popularizar, normalmente não têm. Periódicos de menor porte ou de acesso restrito às vezes também não utilizam o sistema. Quando o DOI existe, use sempre; quando não existe, a referência segue sem ele.
ISSN: o código que identifica a revista, não o artigo
ISSN vem de International Standard Serial Number. Ele identifica publicações periódicas: revistas científicas, jornais, newsletters, séries de livros publicadas regularmente. O que distingue uma publicação periódica é exatamente isso: ela sai em série, com números ou volumes.
Enquanto o DOI identifica um documento específico, o ISSN identifica a publicação como um todo. Todos os artigos da mesma revista compartilham o mesmo ISSN. O que diferencia os artigos entre si são as informações de volume, número, ano e página dentro da referência.
Uma mesma revista pode ter dois ISSNs: um para a versão impressa e outro para a versão eletrônica (online). Quando você encontra dois ISSNs, normalmente um deles é identificado como ISSN-L (linked), que é o código de ligação entre as duas versões. Nas referências, costuma-se usar o ISSN da versão consultada. Se você leu o artigo online, use o ISSN da versão eletrônica.
Para o pesquisador, o ISSN tem utilidade principalmente em dois contextos. Primeiro, quando você precisa confirmar que está citando a revista certa (nome de revista não é único, há casos de revistas diferentes com nomes muito parecidos). Segundo, quando você quer verificar se uma revista está registrada e indexada, o que é um indicador mínimo de legitimidade.
ISBN: o código que identifica o livro
ISBN vem de International Standard Book Number. Ele funciona de forma parecida com o ISSN, mas para livros. Cada livro publicado recebe um ISBN único, e diferentes edições do mesmo livro recebem ISBNs diferentes.
Isso é importante nas referências acadêmicas. Se você está citando a terceira edição de um livro, precisa usar o ISBN da terceira edição, não da primeira. Edições diferentes podem ter conteúdo diferente, capítulos adicionados ou removidos, paginação alterada.
O ISBN moderno tem 13 dígitos. Livros mais antigos podiam ter o formato de 10 dígitos. Quando você encontra um livro com ISBN de 10 dígitos, existe um método para convertê-lo para 13 dígitos, mas nas referências acadêmicas isso raramente é necessário: basta informar o ISBN que está no livro.
Nem todo livro que existe tem ISBN. Livros autopublicados, publicações de uso interno em instituições, teses encadernadas (que tecnicamente são documentos diferentes de livros publicados), podem não ter. As normas de referência, como a ABNT, costumam orientar sobre o que fazer nesses casos.
Como usar esses identificadores nas suas referências
As normas de referência bibliográfica variam por área e instituição. A ABNT é a norma oficial no Brasil para trabalhos acadêmicos. A APA é comum em ciências humanas e da saúde. A Vancouver prevalece em ciências biomédicas. Cada uma tem suas especificidades sobre como incluir DOI, ISSN e ISBN nas referências.
Uma orientação que vale para praticamente todas as normas: quando o DOI existe, inclua. Ele é o identificador mais robusto para artigos digitais e é amplamente aceito em qualquer estilo de citação.
Para o ISSN, nas referências de artigos de periódicos ele normalmente não é incluído no corpo da referência, mas pode aparecer em metadados e fichas de catalogação. Algumas normas específicas de biblioteconomia e arquivística pedem o ISSN, mas no formato padrão de referências de artigos ele costuma ser opcional ou dispensável.
Para o ISBN, ele é recomendado nas referências de livros segundo diversas normas, incluindo versões mais recentes da ABNT. Inclua quando disponível.
Onde encontrar esses identificadores
O DOI de um artigo geralmente aparece na própria página do artigo na base de dados onde foi publicado, frequentemente logo abaixo do título ou no cabeçalho. Ele também costuma estar no PDF do artigo, na primeira página.
O ISSN de uma revista aparece na página de informações do periódico no site da editora, na contracapa das edições impressas, ou nas plataformas de indexação onde a revista está cadastrada.
O ISBN de um livro aparece na ficha catalográfica, que no Brasil fica nas primeiras páginas após a folha de rosto, e na contracapa do livro. Em livros digitais, aparece nas informações do arquivo.
Quando você não consegue encontrar o identificador no documento, plataformas como Crossref (para DOI), Portal ISSN (para ISSN) e bibliotecas nacionais (para ISBN) permitem fazer buscas por título.
Um detalhe sobre DOI e acesso aberto
Há uma distinção útil que poucos conhecem. O DOI aponta para o documento, mas não garante que o acesso seja gratuito. Um artigo por trás de paywall tem DOI, e ao clicar no link você vai chegar na página onde precisa pagar para ler.
Ferramentas como Unpaywall ou o plugin Open Access Button consultam repositórios legítimos de acesso aberto (como PubMed Central, repositórios institucionais, preprint servers) para verificar se existe uma versão gratuita e legal do artigo. Quando existe, elas redirecionam você para ela.
Isso é diferente de pirataria: as versões apontadas por essas ferramentas são versões que os próprios autores ou periódicos depositaram em repositórios abertos de forma voluntária e legal.
DOI e preprints: o que muda
Com a popularização dos servidores de preprint, como arXiv, bioRxiv, SciELO Preprints e outros, surgiu uma variação importante: preprints também podem ter DOI.
Isso significa que um artigo pode ter dois DOIs diferentes: um atribuído quando foi depositado como preprint e outro quando foi publicado formalmente pela revista. Esses são documentos diferentes, tecnicamente. O preprint é a versão antes da revisão por pares; o artigo publicado é a versão final revisada.
Quando você cita um preprint, use o DOI do preprint e identifique explicitamente na referência que se trata de um preprint (alguns estilos de citação têm um campo específico para isso). Quando o artigo está publicado formalmente, use o DOI da versão publicada sempre que possível.
Em algumas áreas, como física e matemática, citar preprints é prática corrente. Em outras, como ciências da saúde, as bancas e orientadores podem ser mais conservadores quanto ao uso de preprints como referência. Verifique qual é a prática da sua área e da sua instituição.
Fechando
DOI, ISSN e ISBN são ferramentas de identificação, não complexidades burocráticas. Cada um tem uma função específica e uma lógica clara. Entendendo o que cada um faz, as dúvidas de referência ficam mais fáceis de resolver.
Para mais contexto sobre publicação e referências na pesquisa científica, explore os recursos disponíveis ou veja como navegar pelo processo de submissão de artigos no blog.