Método

Como Formatar Figuras e Ilustrações nas Normas ABNT

Aprenda a formatar figuras, gráficos e ilustrações na ABNT: numeração, legenda, fonte e posicionamento corretos na dissertação ou tese.

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A figura sem formatação certa é figura que atrapalha

Vamos lá. Você passou horas elaborando um gráfico que sintetiza exatamente o que você quer mostrar. Colocou no Word, ficou bonito na tela. Mandou para o orientador — e voltou com comentários sobre formatação.

Isso acontece o tempo todo. A imagem pode ser perfeita conceitualmente e ainda estar errada formalmente. E na ABNT, erros de formatação em figuras são um dos mais frequentes porque as regras têm uma lógica específica que não é intuitiva.

Neste post, vou mostrar como a NBR 14724 orienta a apresentação de figuras, gráficos, fotografias, esquemas e demais ilustrações. Sem complicar, mas sem atalhos que depois viram problema na banca.

O que a ABNT chama de “figura”

Na norma, o termo “figura” abrange um conjunto amplo de elementos visuais: gráficos, fotografias, mapas, organogramas, fluxogramas, esquemas, plantas, desenhos e qualquer outra representação gráfica que não seja tabela ou quadro.

Cada tipo tem características específicas, mas as regras de apresentação são as mesmas para todos. O que muda é o nome que você usa na identificação: “Gráfico 1”, “Mapa 2”, “Fotografia 3”, não “Figura 1” para tudo.

Sim, tecnicamente você deve nomear pelo tipo. Na prática, muitos programas aceitam “Figura” como termo genérico. Consulte seu orientador e as normas específicas do seu programa.

A ordem obrigatória: legenda, figura, fonte

Aqui está o ponto que mais gera confusão. A ordem dos elementos ao redor de uma figura na ABNT é:

  1. Identificação (legenda) — aparece ACIMA da figura
  2. A figura em si
  3. Fonte — aparece ABAIXO da figura

Essa ordem é oposta ao que muita gente faz intuitivamente (colocar a legenda embaixo). A NBR 14724 é explícita: a identificação precede a ilustração.

A identificação segue este formato:

Figura 1 — Distribuição dos participantes por faixa etária

Atenção ao travessão (—) entre o número e o título. Aqui na ABNT ele é prescrito. O título deve ser escrito em fonte menor que o texto principal — geralmente tamanho 10 ou 11, enquanto o corpo do texto está em 12.

Como formatar a fonte da figura

A fonte vem imediatamente após a figura, alinhada à esquerda, em tamanho menor que o texto. O formato varia conforme a origem:

Figura que você criou a partir dos seus dados:

Fonte: elaborado pela autora (2026).

Ou: “elaborado pelo autor”, dependendo. Algumas bancas preferem o nome completo. Verifique as normas do seu programa.

Figura retirada de uma obra publicada:

Fonte: SILVA, João Carlos. Políticas públicas de saúde. São Paulo: Editora X, 2023. p. 87.

Figura disponível online:

Fonte: IBGE. Censo 2022: resultados preliminares. 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 15 mar. 2024.

Figura adaptada de outra fonte:

Fonte: Adaptado de SOUZA, Maria. Gestão e inovação. Rio de Janeiro: Editora Y, 2022. p. 45.

“Adaptado de” indica que você modificou a figura original. Isso é importante tanto para precisão metodológica quanto para evitar questionamentos sobre plágio visual.

Posicionamento no texto e menção obrigatória

Toda figura precisa ser mencionada no texto antes de aparecer. Você não pode simplesmente inserir uma figura sem referenciá-la no parágrafo. O correto é algo como:

A distribuição etária dos participantes está representada na Figura 1.

Ou: “conforme observado na Figura 1”, “como mostra o Gráfico 2”, etc.

A figura deve aparecer o mais próximo possível do ponto onde foi mencionada no texto. Se não couber na mesma página, vai para a página seguinte — mas nunca antes da menção no texto.

Quanto ao alinhamento, a figura costuma ser centralizada na página. A legenda e a fonte seguem o mesmo alinhamento da figura ou ficam alinhadas à borda esquerda da imagem — isso varia um pouco entre programas. O mais seguro é verificar o template do seu programa.

Figuras no apêndice ou anexo

Quando uma figura é muito extensa para aparecer no corpo do texto (ou quando ela é material complementar), ela pode ir para o apêndice ou anexo.

Nesse caso, a numeração muda. Em vez de “Figura 1”, ela passa a ser “Figura A1” (se estiver no Apêndice A) ou “Figura B1” (no Anexo B). A identificação, a figura e a fonte seguem o mesmo padrão.

No corpo do texto, você referencia assim: “conforme detalhado na Figura A1 (Apêndice A).”

Lista de ilustrações: quando é obrigatória?

A NBR 14724 estabelece que a lista de ilustrações é um elemento pré-textual opcional — mas muitos programas a tornam obrigatória quando o trabalho tem um número significativo de figuras (geralmente a partir de cinco, mas o critério varia).

Quando presente, a lista aparece após o sumário. Cada entrada traz: designação, número, título e página.

Figura 1 — Distribuição dos participantes por faixa etária … 42

Ela é gerada automaticamente no Word se você usar estilos de parágrafo corretamente para as legendas. Se você formatou as legendas manualmente, vai precisar montar a lista na mão — o que é trabalhoso e cheio de oportunidades para erro.

Vale aprender a usar os estilos do Word desde o início do trabalho. Economiza horas no final.

Erros mais comuns e como evitar

Os problemas que vejo com mais frequência:

Legenda abaixo da figura. A legenda fica acima. Sempre. É contraintuitivo, mas é o que a norma diz.

Figura sem menção no texto. Toda figura precisa ser citada antes de aparecer. Se você inseriu e não mencionou, ou a figura sai do trabalho ou você acrescenta a referência no parágrafo anterior.

Fonte incompleta. “Fonte: Google” não é fonte. “Fonte: autor” sem o ano também não está correto. Seja específico.

Numeração que reinicia por capítulo. A numeração é contínua no trabalho todo, não por capítulo. Isso é diferente, por exemplo, do que acontece com equações em alguns programas de exatas — verifique a norma específica do seu programa.

Imagem de baixa resolução. Isso não é norma ABNT, mas é realmente comum: a figura fica pixelada na impressão. Para impressão A4, use imagens com pelo menos 300 DPI.

Cor, escala de cinza e acessibilidade visual

Um detalhe que raramente aparece nos guias de ABNT mas que o orientador eventualmente levanta: figuras com cores.

Se o trabalho vai ser impresso em preto e branco (o que é comum na versão física das dissertações), as cores das barras de um gráfico ou das linhas de um mapa precisam ser distinguíveis em escala de cinza. Uma paleta de azul e vermelho fica idêntica na impressão monocromática.

A solução prática é usar padrões de preenchimento (hachuras, pontilhados) em vez de — ou além de — cores. Ou testar o gráfico em modo de impressão antes de finalizar.

Para versões digitais, não há essa restrição, mas pensar em acessibilidade continua sendo relevante. Quem tem daltonismo pode não distinguir vermelho de verde, por exemplo. Ferramentas como ColorBrewer (para mapas) e Coolors oferecem paletas que funcionam bem nesses casos.

Isso não é exigência da ABNT, mas é boa prática que demonstra cuidado com a comunicação científica.

O V.O.E. na hora de formatar figuras

No Método V.O.E., a fase de organização é onde você cuida da estrutura formal do texto antes de avançar para a escrita densa. Figuras são parte dessa organização.

Uma prática que funciona bem é não inserir as figuras definitivas logo de cara. Trabalhe primeiro com placeholders (um quadrado cinza com o título da figura) e deixe a formatação completa para uma rodada específica de revisão. Isso evita perder tempo reformatando cada vez que o texto muda de posição.

Quando chegar essa rodada, revise todas as figuras de uma vez, seguindo um checklist: identificação acima, fonte abaixo, menção no texto, numeração correta, lista de ilustrações atualizada. Fica muito mais rápido assim.

Finalizando

Formatar figuras na ABNT não é difícil quando você entende a lógica: a identificação apresenta o que vem a seguir, a fonte indica de onde veio. Essa ordem faz sentido quando você pensa no leitor que precisa de contexto antes de olhar para a imagem.

O maior inimigo aqui é o improviso: formatar cada figura de um jeito diferente conforme vai inserindo no texto. Com um template bem configurado e uma revisão sistemática no final, você resolve isso de uma vez.

Se quiser mais sobre formatação ABNT, confira também os recursos de apoio à escrita acadêmica disponíveis aqui no blog.

Perguntas frequentes

Onde colocar a legenda da figura na ABNT — antes ou depois?
Pela NBR 14724, a legenda (identificação) aparece ANTES da figura, e a fonte aparece DEPOIS. Então a ordem é: legenda em cima, figura no meio, fonte embaixo.
Como numerar figuras na dissertação pela ABNT?
As figuras são numeradas em sequência no texto, em algarismos arábicos. Ex: Figura 1, Figura 2. A numeração é contínua ao longo de todo o trabalho, sem reiniciar por capítulo (a menos que o programa exija outro formato).
Figura tirada da internet precisa de fonte na ABNT? Como citar?
Sim, toda figura precisa de fonte, mesmo que seja de domínio público. O formato é: Fonte: SOBRENOME, Nome. Título da obra. Ano. Disponível em: [URL]. Acesso em: [data]. Se você mesmo criou a figura, coloca: Fonte: elaborado pela autora (ano).
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