Tabelas em Trabalhos Acadêmicos: Como Fazer na ABNT
Aprenda a formatar tabelas em trabalhos acadêmicos seguindo as normas ABNT: título, fonte, linhas, notas e chamada no texto com exemplos práticos.
Por que as tabelas travam na hora da formatação
Vamos lá. Você terminou a análise, organizou os dados, e agora precisa colocar tudo em uma tabela dentro do seu TCC ou artigo. Parece simples, mas aí vêm as dúvidas: o título vai em cima ou embaixo? As bordas são fechadas ou abertas? E a fonte, como coloco?
A confusão é compreensível porque tabela e figura parecem a mesma coisa para quem está formatando pela primeira vez, mas na ABNT elas têm tratamentos diferentes. E os editores de texto, como o Word, não facilitam: a formatação padrão do Word para tabelas não corresponde ao padrão ABNT.
Neste post vou detalhar como formatar tabelas acadêmicas do zero, com a estrutura certa, os erros mais comuns e as decisões que você vai precisar tomar no seu documento.
Tabela ou figura: você sabe a diferença?
Antes de entrar na formatação, vale entender por que a ABNT separa tabelas de figuras.
Uma tabela, na linguagem da norma, é um elemento que apresenta dados numéricos ou alfanuméricos organizados em linhas e colunas, com estrutura tabular e relação entre os valores. Tabelas são para dados, para comparações, para frequências.
Uma figura é qualquer outro tipo de elemento visual que não seja tabela: gráficos, fotografias, mapas, esquemas, fluxogramas, infográficos, quadros. Sim, quadros são tecnicamente figuras, não tabelas, embora muitas pessoas usem os termos como sinônimos.
Por que isso importa? Porque a numeração é separada. Você pode ter uma Tabela 1 e uma Figura 1 no mesmo trabalho, sem conflito. E a estrutura visual de cada um é diferente, como você vai ver a seguir.
A estrutura de uma tabela na ABNT
Uma tabela bem formatada segundo a ABNT tem quatro componentes, nesta ordem de cima para baixo:
1. Título — acima da tabela Identifica o número sequencial e descreve o conteúdo.
2. Cabeçalho A primeira linha da tabela, que nomeia as colunas. É separada do corpo da tabela por uma linha horizontal.
3. Corpo da tabela Os dados em si, organizados em linhas e colunas.
4. Nota e/ou Fonte — abaixo da tabela Informações adicionais sobre os dados (nota) e a origem dos dados (fonte).
O detalhe que mais confunde: as bordas laterais da tabela ficam abertas. Ou seja, não há linha vertical fechando os lados esquerdo e direito. Só existem linhas horizontais: uma na parte superior, uma separando o cabeçalho do corpo, e uma na parte inferior.
Como formatar o título da tabela
O título segue este padrão:
Tabela [número] – [Descrição do conteúdo]
Exemplos:
Tabela 1 – Distribuição dos participantes por faixa etária e sexo Tabela 2 – Resultados do pré-teste e pós-teste por grupo experimental
Algumas regras:
Use numeração arábica sequencial: Tabela 1, Tabela 2, Tabela 3. Não use algarismos romanos.
O separador entre o número e a descrição é o travessão (–) ou o hífen longo, dependendo da exigência da instituição. Muitas normas institucionais aceitam ambos.
Não coloque ponto-final no final do título.
O título deve ser descritivo o suficiente para que o leitor entenda o que está na tabela sem precisar ler o texto ao redor. “Tabela 1 – Dados da pesquisa” não é uma boa legenda. “Tabela 1 – Frequência de respostas por categoria temática, N=48” já comunica bem.
Centralize o título junto com a tabela, ou alinhe à esquerda, dependendo do padrão da sua instituição. O mais comum é centralizar.
As linhas horizontais: o que fica e o que sai
Essa é a parte que mais pessoas erram ao formatar no Word.
A tabela ABNT tem apenas três linhas horizontais obrigatórias:
- Linha superior (antes do cabeçalho)
- Linha separando o cabeçalho do corpo
- Linha inferior (após o último dado)
Não há linhas verticais nas laterais. Não há linhas horizontais entre as linhas de dados (a menos que o conteúdo seja muito extenso e a instituição permita).
Quando você cria uma tabela no Word, o padrão é uma grade com todas as bordas visíveis. Você vai precisar remover as bordas laterais e as linhas internas do corpo manualmente.
Como fazer: selecione a tabela, vá em Design de Tabela > Bordas e aplique apenas as bordas horizontais externas e a linha de cabeçalho. Ou use o recurso de “Sem borda” para zerar e depois adicionar apenas as três linhas necessárias.
Como formatar nota e fonte abaixo da tabela
Abaixo da tabela, você pode ter até dois elementos:
Nota: Explicações sobre dados específicos da tabela, siglas usadas nas colunas, ou esclarecimentos metodológicos que não cabem no título.
Formato:
Nota: [explicação].
Exemplo:
Nota: DP = desvio padrão; n = número de participantes por grupo.
Fonte: Indica de onde vieram os dados.
Se os dados são seus:
Fonte: elaborado pela autora (2026).
Se os dados vieram de outro trabalho:
Fonte: adaptado de Sobrenome (ANO, p. XX).
Se você reproduziu a tabela exatamente como estava:
Fonte: Sobrenome (ANO, p. XX).
A ordem correta, quando há ambos, é nota primeiro, fonte depois.
O texto de nota e fonte fica em tamanho menor que o corpo do texto, geralmente 10pt. Fique alinhado à borda esquerda da tabela, não ao centro da página.
Chamada da tabela no texto
Assim como figuras, tabelas precisam ser chamadas no texto antes de aparecerem. Essa chamada é obrigatória.
Formas corretas:
“Os dados apresentados na Tabela 1 mostram que…” “Conforme a Tabela 2, a frequência maior está na faixa de…” “A Tabela 3 resume os resultados do período analisado.” “…distribuição por região (Tabela 4).”
Nunca escreva “na tabela a seguir” ou “na tabela abaixo” sem referenciar o número. Use sempre “na Tabela [número]”.
A tabela deve aparecer logo após a chamada no texto, ou na página seguinte se não couber. Não deixe a tabela “solta” no documento sem uma chamada anterior que a apresente.
Lista de tabelas: quando é obrigatória
Se o trabalho tiver três ou mais tabelas, inclua uma lista de tabelas no início do documento, após a lista de figuras (se houver) e antes do sumário, ou após o sumário, conforme as normas da sua instituição.
O formato segue o mesmo padrão da lista de figuras:
Tabela 1 – Título da tabela … XX Tabela 2 – Título da tabela … XX
O Word gera essa lista automaticamente se você usar o recurso de “Inserir Legenda” vinculado às tabelas.
Trabalhos com menos de três tabelas não precisam de lista.
Tabela ou quadro: quando usar cada um
Olha só um ponto que gera muita confusão: a diferença entre tabela e quadro.
Tabela: dados numéricos, estatísticas, frequências, valores que têm relação quantitativa entre si. Bordas abertas nas laterais.
Quadro: informações qualitativas, comparações conceituais, cronogramas, roteiros de entrevista, categorias de análise. Bordas fechadas em todos os lados, semelhante a uma grade.
Na prática acadêmica, quadros são classificados como figuras na ABNT. Então um quadro recebe a numeração de figura, não de tabela. Você pode ter “Quadro 1” identificado como “Figura X” no sumário, ou simplesmente numerar como “Quadro 1” em sequência própria, dependendo das normas da sua instituição.
A regra prática: se os dados são números com operações matemáticas implícitas (médias, percentuais, frequências), é tabela. Se o conteúdo é texto organizado em células, é quadro.
Os erros mais comuns nas tabelas de TCC
Título genérico. “Tabela 1 – Resultados” não descreve nada. O título deve ser específico o suficiente para funcionar sozinho.
Bordas fechadas nos lados. O erro mais frequente no Word. A ABNT exige bordas laterais abertas.
Fonte incompleta. “Fonte: pesquisa” ou “Fonte: próprio autor” sem o ano não está correto. Inclua o ano entre parênteses.
Tabela sem chamada. A tabela aparece no texto de surpresa, sem referência anterior. Sempre chame antes.
Dados em tabela quando deveriam estar em texto. Tabelas com duas colunas e três linhas geralmente ficam melhor como uma frase no corpo do texto. Reserve a tabela para quando a estrutura visual realmente facilita a leitura.
Misturar numeração de tabelas e figuras. São sequências independentes. Tabela 1 e Figura 1 coexistem no mesmo documento.
Formatação de tabelas extensas
Quando uma tabela não cabe em uma página, ela continua na página seguinte. Nesse caso:
A linha inferior da tabela só aparece no final da tabela, na última página. Nas páginas intermediárias, não há linha de fechamento.
O cabeçalho deve ser repetido na página seguinte. No Word, você ativa isso clicando na linha de cabeçalho com o botão direito e selecionando “Propriedades da tabela” > “Linha” > “Repetir como linha de cabeçalho no topo de cada página”.
Na continuação da tabela, algumas normas institucionais pedem a indicação “(Continua)” no final da página que quebra e “(Continuação)” no início da próxima. Verifique se sua instituição exige isso.
No Método V.O.E., a tabela é parte da comunicação
No Método V.O.E., a fase de Execução inclui não só escrever, mas formatar com clareza. Tabelas mal construídas interrompem a leitura e forçam o leitor a interpretar o que deveria estar evidente.
Uma boa tabela faz o dado falar. Uma tabela mal formatada faz o leitor trabalhar para entender o básico.
O princípio aqui é o mesmo de qualquer elemento de comunicação científica: clareza estrutural não é detalhe burocrático, é parte da argumentação. Quando os dados estão bem apresentados, o leitor confia na análise. Quando a formatação é confusa, a desconfiança contamina o conteúdo.
Checklist antes de fechar o documento
Para cada tabela do seu trabalho:
- O título está acima da tabela, numerado sequencialmente em arábico?
- As bordas laterais estão abertas (sem linhas verticais nos lados)?
- Há linhas horizontais na borda superior, no cabeçalho e na borda inferior?
- A tabela tem chamada no texto antes de aparecer?
- A fonte está abaixo, com autor e ano, no formato correto?
- A lista de tabelas está atualizada, se o trabalho tiver três ou mais?
Seis perguntas. Se todas as respostas forem sim, suas tabelas estão dentro do padrão e você pode fechar essa parte da formatação com tranquilidade.