Como escrever a conclusão que seu trabalho merece
A conclusão fecha o argumento da dissertação ou tese. Aprenda o que deve conter, o que deve evitar, e como escrever um fechamento que faz jus à pesquisa que você fez.
O capítulo que pesquisadores deixam para o final e escrevem com pressa
Olha só: depois de meses ou anos trabalhando numa dissertação ou tese, chegar na conclusão com energia é raro. Você está exausto. O prazo está próximo. E a conclusão parece que vai “se escrever sozinha” porque afinal de contas é só fechar o que já foi dito.
Não é.
A conclusão é o capítulo que o leitor mais lembra. É o que a banca lê com mais atenção nos dias antes da defesa. É o fechamento de um argumento que você construiu durante todo o trabalho, e se esse fechamento for fraco, enfraquece o argumento inteiro retrospectivamente.
Merece mais cuidado do que costuma receber.
O que a conclusão precisa fazer
Responder à pergunta de pesquisa
Parece óbvio, mas é onde muitas conclusões falham: elas descrevem o processo, listam o que foi encontrado em cada capítulo, e nunca respondem diretamente à pergunta que motivou a pesquisa.
A conclusão deve conter uma resposta explícita à pergunta de pesquisa. Não uma lista dos achados por capítulo, mas a resposta integrada: dado tudo que foi investigado, o que se pode afirmar sobre a questão que motivou este trabalho?
Essa resposta tem que aparecer, com clareza, no texto.
Sintetizar sem resumir
Há diferença entre síntese e resumo. Resumo reproduce o que foi dito. Síntese integra.
“No capítulo 2 foi apresentado X. No capítulo 3 foi discutido Y. No capítulo 4 foram analisados Z” é resumo. Não pertence à conclusão.
“X, Y e Z, tomados em conjunto, indicam que…” é síntese. É o que a conclusão deve fazer: mostrar o padrão que emerge quando os achados são vistos como um todo, não listar o que cada parte fez.
Delimitar o que o trabalho pode e não pode afirmar
As limitações do estudo pertencem à conclusão (ou à discussão, dependendo da estrutura do trabalho). Não como uma lista de desculpas, mas como delimitação honesta do alcance das afirmações.
Um trabalho que reconhece suas limitações com honestidade é mais sólido do que um que as esconde. A banca vai encontrar as limitações de qualquer forma. Melhor que você as tenha nomeado e delimitado do que deixar para que outros as sinalizem como problemas não percebidos.
Apontar implicações e caminhos futuros
O que os resultados significam para além deste estudo? Quais perguntas ficaram abertas? O que este trabalho sugere para pesquisas futuras?
Essa seção não precisa ser longa, mas precisa existir. É onde você mostra que o trabalho não é um objeto isolado, mas uma contribuição a uma conversa científica que continua.
O que não pertence à conclusão
Nenhuma informação nova. Se um dado, uma referência ou um argumento aparece pela primeira vez na conclusão, ele foi colocado no lugar errado. A conclusão fecha, não introduz.
Citações extensas. A conclusão é principalmente sua voz, sua síntese, sua interpretação. Referências ainda podem aparecer, mas devem ser pontuais.
Reafirmação de que o objetivo do estudo foi alcançado como se fosse uma conquista pessoal. “Este trabalho conseguiu atingir todos os objetivos propostos” não é afirmação científica. É declaração de satisfação pessoal que não acrescenta nada ao trabalho.
Como começar a escrever
Uma estratégia que funciona: antes de escrever a conclusão, responda por escrito, em formato de rascunho livre, às seguintes perguntas:
O que eu descobri que não sabia quando comecei? O que posso afirmar agora que não podia afirmar antes? O que esta pesquisa acrescenta ao campo? O que ficou sem resposta e por quê? Quem deveria ler este trabalho e o que encontraria de útil nele?
Essas respostas informais são o material bruto da conclusão. A partir delas, você organiza, aprofunda e trabalha o texto até o nível que o trabalho merece.
O tom da conclusão
A conclusão é o lugar onde sua voz como pesquisador pode aparecer com mais clareza do que em qualquer outra seção. Você está interpretando, avaliando, posicionando o trabalho no campo.
Isso não significa tom informal ou confessional. Significa que a primeira pessoa, quando usada com parcimônia, é mais adequada aqui do que na metodologia. Significa que julgamentos de valor sobre a relevância dos achados têm lugar aqui. Significa que a conclusão pode ter uma cadência ligeiramente diferente dos capítulos mais descritivos.
A conclusão é a última impressão que o leitor vai ter do trabalho. Vale tratar como o que é: uma oportunidade de mostrar que você não apenas coletou dados, mas entendeu o que eles significam.
Para entender como a conclusão se conecta à estrutura completa da dissertação, o post sobre como montar a estrutura de capítulos oferece o mapa. E sobre como escrever a discussão que precede a conclusão, o post sobre como escrever a discussão dos resultados aprofunda essa seção diretamente anterior.