Como Escolher Entre Periódico A1, A2, B1 no Qualis
Entenda o que são os estratos Qualis da CAPES, como o sistema classifica periódicos e como escolher o nível certo para submeter seu artigo.
O que é o Qualis e por que ele importa tanto
Vamos lá. Se você está no mestrado ou doutorado no Brasil, já ouviu falar em Qualis. Talvez seu orientador tenha dito algo como “precisa ser pelo menos B2” ou “nosso programa exige A2”. Mas o que está por trás dessas letrinhas?
O Qualis é o sistema da CAPES para classificar periódicos científicos. Ele não avalia artigos individuais nem pesquisadores. Avalia periódicos, ou seja, as revistas onde você publica. E a classificação vai de A1 (o mais alto) passando por A2, A3, A4, B1, B2, B3, B4 até C.
O sistema existe porque a CAPES precisa avaliar os programas de pós-graduação no Brasil, e parte dessa avaliação passa pela produção bibliográfica dos professores e estudantes. Um programa que só publica em periódicos C vai mal na avaliação. Um que concentra publicações em A1 e A2 se sai melhor.
Para você como mestranda ou doutoranda, o Qualis importa por algumas razões práticas: muitos programas exigem uma publicação mínima com estrato mínimo para a defesa. Às vezes é B1, às vezes A2, depende do programa. Saber isso desde o começo evita surpresas desagradáveis no final.
Como a classificação funciona na prática
O Qualis não é um ranking universal. Isso confunde muita gente. O mesmo periódico pode ter estrato diferente dependendo da área do conhecimento.
Pensa assim: uma revista de educação pode ser A1 na área de Educação e B2 na área de Ciências da Saúde. Isso acontece porque a relevância de um periódico é avaliada dentro do contexto da área, não de forma genérica. Um periódico multidisciplinar vai ter estratos variados dependendo de quem está olhando.
A partir do quadriênio 2017-2020, a CAPES passou a usar critérios mais objetivos e baseados em métricas bibliométricas para definir os estratos, considerando indexação em bases internacionais e indicadores de impacto. Antes o processo era mais qualitativo e a classificação por área tinha mais subjetividade. Hoje ainda há especificidade por área, mas com maior uso de dados comparativos internacionais.
O que isso muda para você? Significa que quando você busca um periódico para publicar, precisa verificar o estrato na sua área específica, não só o nome do periódico.
O erro mais comum ao escolher onde publicar
Aqui tem um padrão que eu vejo muito. A pessoa quer publicar no maior estrato possível, acha que vai “de cabeça” num A1 sem considerar se o escopo do periódico tem a ver com o tema dela, e aí passa meses esperando uma resposta de rejeição.
Faz sentido? Escolher um periódico não é só sobre estrato. É sobre:
Escopo e afinidade temática. O periódico publica pesquisas com a metodologia que você usou? Com o público que você estudou? Com o campo teórico que você ocupa? Se a resposta for não, o estrato não ajuda. Revisores que conhecem bem o campo vão perceber que o trabalho não se encaixa ali.
Taxa de aceitação e tempo de avaliação. Periódicos de alto estrato geralmente têm taxas de aceitação baixas e tempos de espera longos. Dependendo do cronograma do seu programa, isso pode ser um problema real. Se você precisa publicar algo para defender em seis meses, um periódico que leva doze meses para dar retorno não serve, independente do estrato.
Fluxo contínuo ou edições especiais. Alguns periódicos têm fluxo contínuo de submissão. Outros aceitam em períodos específicos ou têm dossiês temáticos. Verificar isso antes de submeter poupa tempo.
Como funciona a hierarquia A1 a B4 na sua área
Olha só: a CAPES disponibiliza a Plataforma Sucupira (sucupira.capes.gov.br) onde você pode buscar qualquer periódico pelo ISSN ou nome e ver a classificação por área e quadriênio. Isso é público e gratuito. Usa.
Para ter uma noção geral, sem números específicos que mudam a cada quadriênio:
Os estratos A (A1, A2, A3, A4) tendem a representar periódicos com reconhecimento internacional consolidado, bem indexados em bases como Scopus, Web of Science ou equivalentes da área. Dentro dos A, a distinção costuma envolver indicadores de impacto e presença em índices de maior prestígio.
Os estratos B (B1 a B4) abrangem uma gama ampla. B1 e B2 já representam periódicos com relevância nacional ou regional consolidada e alguma presença internacional. B3 e B4 podem ser periódicos mais locais, em desenvolvimento ou voltados a nichos específicos.
O estrato C indica periódicos que não atendem aos critérios mínimos de qualidade editorial da CAPES.
O que importa, na prática, é que publicar em B1 ou acima já costuma ser significativo para a maioria dos programas. Publicar em A2 ou A1 tem peso maior na avaliação do programa e no currículo Lattes. Mas nenhum dos dois serve se não houver alinhamento com o que você pesquisa.
A questão do estrato mínimo no seu programa
Antes de escolher qualquer periódico, faça uma coisa simples: pergunte ao seu orientador qual é o estrato mínimo que o programa exige para a defesa. E se isso está em algum regulamento escrito.
Cada programa tem suas regras. Alguns exigem publicação submetida, outros exigem publicação aceita, outros exigem publicação publicada. O estrato mínimo também varia. Tem programa que aceita qualquer publicação em periódico com ISSN. Tem programa de ponta que exige A2 no mínimo.
Descobrir isso cedo evita o cenário em que você passa um ano num periódico que não vai contar para a defesa.
Outro ponto: publicação em evento (anais de congresso) tem Qualis diferente de periódico. Em algumas áreas, anais de congresso são muito valorizados. Em outras, quase não contam. Isso também varia por área e por programa.
Estratégia real para quem está no início do mestrado
Se você ainda está escrevendo a dissertação e está pensando em qual periódico mirar, aqui vai uma lógica que faz sentido.
Primeiro, identifique os artigos que você mais citou na sua revisão de literatura. Em quais periódicos eles foram publicados? Essa é uma dica forte de onde sua pesquisa tem mais chance de ser bem recebida. Revisores desses periódicos já estão familiarizados com o campo teórico e metodológico que você usa.
Segundo, verifique o estrato dessas revistas na sua área no Sucupira. Se a maioria dos periódicos que você mais usa está em B1 ou acima, você tem um ponto de partida concreto.
Terceiro, olhe para as instruções aos autores de cada periódico candidato. Algumas revistas têm normas muito específicas, exigem formatação ABNT, têm limites de palavras rígidos ou exigem que o artigo não tenha sido submetido em outro lugar ao mesmo tempo (submissão exclusiva). Isso tudo entra no cálculo.
Quarto, considera publicar um artigo antes da defesa e outro depois. Muita gente tenta encaixar tudo no prazo da dissertação e se estressa desnecessariamente. Parte do material pode virar publicação depois que a poeira assentar.
O Método V.O.E. e o momento da publicação
Lembra do Método V.O.E.? A ideia de Verificar, Organizar e Escrever se aplica bem aqui também. Antes de submeter qualquer artigo, verificar o alinhamento entre o que você escreveu e o escopo do periódico é tão importante quanto verificar se o texto está bem escrito.
Artigo rejeitado por desalinhamento de escopo não é artigo ruim. É artigo mal direcionado. E isso se resolve com mais atenção na escolha do destino, não na reescrita do conteúdo.
Quando você organiza os periódicos candidatos com atenção (escopo, estrato, tempo médio de avaliação, taxa de aceitação quando disponível) e só depois submete, a chance de aprovação sobe. Não porque o artigo mudou. Porque a estratégia melhorou.
Para fechar
O estrato Qualis é um critério de qualidade institucional, não uma régua de valor pessoal. Publicar num B1 com a pesquisa certa, no periódico certo, pode ser mais estratégico do que submeter num A1 que não tem nada a ver com seu campo.
Use o Sucupira para verificar estratos. Pergunte ao orientador o que o programa exige. Olhe para onde os artigos que você admira foram publicados. E submeta com intenção, não com pressa.
A publicação acadêmica tem lógica própria. Quanto antes você aprende essa lógica, mais tranquila fica a parte burocrática da trajetória na pós.
Veja também: Como funciona a avaliação CAPES dos programas e O que é o Método V.O.E..