Como citar três ou mais autores ABNT et al? Guia prático
Entenda quando e como usar et al. nas citações ABNT. Regras atualizadas, exemplos práticos e os erros mais comuns na hora de citar múltiplos autores.
Citar com et al. não precisa ser um bicho de sete cabeças
Olha só: uma das dúvidas mais frequentes que recebo de estudantes e pesquisadores é exatamente essa. Como citar quando o texto tem muitos autores? Quando aparece esse tal de et al.? E será que estou usando direito?
A lógica por trás das normas da ABNT para múltiplos autores é simples. Quando você entende o princípio, para de errar.
Vamos lá.
O que significa et al.?
Antes de qualquer regra, vale saber o que você está escrevendo. Et al. é uma abreviação da expressão latina et alii, que significa “e outros”. É isso: “e outros autores”.
O ponto no final de al. não é opcional. Faz parte da abreviação e deve sempre estar presente. Então, nunca escreva “et al” sem o ponto final.
Isso vale tanto no meio de uma frase quanto no final de uma citação. O ponto de abreviação e o ponto final da frase se fundem quando coincidem, mas o al. nunca perde o seu.
A regra central: quando usar et al. nas citações no texto
A NBR 10520 (norma que rege as citações) estabelece o seguinte: quando uma obra tiver quatro ou mais autores, você pode usar apenas o sobrenome do primeiro autor seguido de et al. na citação dentro do texto. Para obras com até três autores, todos devem ser citados.
Na prática:
Dois autores:
(SOUZA; LIMA, 2023)
Três autores:
(COSTA; ALVES; FERREIRA, 2022)
Quatro ou mais autores:
(PEREIRA et al., 2021)
Perceba que o ponto e vírgula separa os sobrenomes quando há mais de um autor. E a vírgula depois de et al. antecede o ano. Isso é padrão.
Como fica nas referências bibliográficas?
Aqui a lógica se inverte um pouco, e muita gente se confunde. Na lista de referências ao final do trabalho, a NBR 6023 (norma de referências) diz: quando a obra tiver mais de três autores, você lista o primeiro deles seguido de et al.
Ou seja: até três autores, você escreve todos. A partir do quarto, aparece o et al. após o primeiro.
Exemplo com quatro autores:
SANTOS, Ana Paula et al. Métodos de pesquisa qualitativa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2020.
Note que na referência o nome do autor aparece invertido (sobrenome em maiúsculas, vírgula, nome). Isso é padrão ABNT.
E quando a obra tem autoria institucional?
Às vezes a autoria não é de uma pessoa, mas de um órgão, instituição ou entidade. Nesse caso, você usa o nome da instituição no lugar do sobrenome do autor.
Por exemplo, na citação:
(BRASIL, 2019)
E na referência:
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes curriculares nacionais. Brasília: MS, 2019.
Não existe et al. para autoria institucional. Não faz sentido, já que não há uma lista de pessoas para abreviar.
Erros mais comuns com et al.
Esses erros aparecem em praticamente todo trabalho que reviso:
O primeiro é esquecer o ponto final de al. Escrever “et al” sem o ponto é erro de grafia. Sempre: et al.
O segundo é colocar et al. quando há três autores. A regra é clara: três autores, você lista todos. O et al. só entra a partir do quarto. Não existe “eu tenho preguiça de listar três nomes” nas normas da ABNT.
O terceiro é usar et al. na referência quando a obra tem três autores. Mesmo problema. Na referência, até três autores são listados por completo.
O quarto é não colocar vírgula antes do ano nas citações. O formato correto é: (SOBRENOME et al., ANO). A vírgula antes do ano é obrigatória.
O quinto é confundir a regra de citação com a regra de referência. Na citação no texto: quatro ou mais autores, usa et al. Na referência: mais de três autores, usa et al. É a mesma fronteira (a partir do quarto), mas o enunciado da norma aparece de forma levemente diferente em cada norma.
E o sexto, que pouca gente lembra, é italicizar o et al. quando não precisa. O et al. não precisa de itálico nas citações dentro do texto. Nas referências bibliográficas, também não. Somente em obras onde a norma de itálico do próprio periódico exige é que pode aparecer diferente, mas no padrão ABNT não há itálico obrigatório para essa expressão.
Citação direta com et al.: como fica?
Se você fizer uma citação direta (com as palavras exatas do autor, entre aspas), a lógica é a mesma. O que muda é a posição da informação.
Citação direta curta (até três linhas):
“A escrita acadêmica exige rigor metodológico e clareza conceitual” (ALMEIDA et al., 2023, p. 47).
Citação direta longa (mais de três linhas, em bloco recuado):
A escrita acadêmica exige rigor metodológico e clareza conceitual, especialmente quando se trata de trabalhos que serão submetidos a periódicos especializados. (ALMEIDA et al., 2023, p. 47).
Na citação direta, você sempre inclui o número de página. Isso não muda com o uso de et al.
E se dois trabalhos tiverem o mesmo primeiro autor e o mesmo ano?
Essa situação aparece mais do que se imagina, principalmente em revisões sistemáticas. Imagine que você está citando dois artigos de 2022 cujo primeiro autor é Silva, e ambos têm quatro ou mais autores.
Nesse caso, você inclui os autores seguintes na citação até diferenciar os dois trabalhos:
(SILVA; COSTA et al., 2022) e (SILVA; MENDES et al., 2022)
Ou você pode identificar os dois trabalhos adicionando letras (2022a, 2022b), o que é mais comum quando o mesmo autor publicou dois textos no mesmo ano.
A norma não proíbe nenhuma das abordagens, mas consistência dentro do trabalho é fundamental. Escolha um padrão e mantenha.
Múltiplos et al. no mesmo parágrafo: como organizar?
Quando num só parágrafo você cita seis artigos diferentes, todos com quatro ou mais autores, fica uma sequência de et al. que pode confundir o leitor, especialmente se dois desses grupos começam pelo mesmo sobrenome.
A saída é prática: se dois grupos têm o mesmo primeiro autor no mesmo ano, você diferencia incluindo o segundo autor antes do et al., como no exemplo acima. Se os anos são diferentes, o ano já resolve a ambiguidade. E se são autores completamente diferentes que por coincidência têm o mesmo sobrenome inicial, a vírgula mais o ano resolvem porque as datas provavelmente diferem.
O que não funciona é inventar abreviações que não estão na norma. Mantenha o padrão e confie na estrutura. E quando o parágrafo ficar muito carregado de citações, considere reorganizar o texto para distribuir as referências em mais de uma frase. A clareza do argumento deve vir antes da densidade referencial.
Uma confusão frequente: ABNT versus APA
Se você usa referências em inglês ou trabalha em áreas que adotam normas internacionais, pode se deparar com o estilo APA. Nele, a lógica do et al. é diferente:
No APA 7, qualquer obra com três ou mais autores já usa et al. na citação no texto desde a primeira menção.
No APA 6 (versão anterior), a regra mudava: na primeira citação, você listava até cinco autores; nas subsequentes, usava et al. a partir do terceiro.
Essa diferença importa porque muitos estudantes misturam as regras. Se o seu programa usa ABNT, siga a ABNT. Se usa APA, siga o manual da APA. Misturar as normas gera inconsistência, e isso é um problema sério em qualquer banca.
Quando o sobrenome do primeiro autor é composto
Uma dúvida específica que vale mencionar: e quando o sobrenome do primeiro autor é composto, como “Del Priore” ou “Van der Berg”? A ABNT trata esses sobrenomes como um bloco único. Então você cita o sobrenome completo do primeiro autor, seguido de et al.:
(DEL PRIORE et al., 2018)
Na referência bibliográfica, o mesmo: o sobrenome composto entra por extenso, todo em maiúsculas, seguido do nome e do restante da referência. Se o sobrenome tiver artigo ou preposição, a entrada na referência segue a forma como o autor assina a obra, respeitando a ordenação pelo elemento mais significativo do nome conforme a NBR 6023.
Como o Método V.O.E. ajuda aqui
O V.O.E. (Verificar, Organizar, Escrever) cai bem para esse tipo de tarefa técnica. Antes de escrever a seção de referências, Verifique quantos autores cada obra tem. Durante a escrita, Organize as citações pelo padrão correto para cada caso. Ao revisar, Escreva as referências em ordem e confira se o et al. aparece só onde deve.
Parece detalhe, mas errar nas referências pode custar pontos em bancas e até inviabilizar a publicação em periódicos que exigem normalização rigorosa. Vale lembrar que alguns programas de pós-graduação têm normas internas que complementam as normas ABNT. Quando houver dúvida, consulte a biblioteca da sua instituição antes de entregar.
Mapa rápido para não errar
De 1 a 3 autores, liste todos, tanto na citação quanto na referência. Com 4 ou mais, use o primeiro mais et al. (com ponto) em ambos os casos. A vírgula antes do ano é obrigatória: (SOUZA et al., 2020). Em citação direta, inclua sempre o número de página. E se o programa usar APA ou Vancouver, as regras são outras, não misture com a ABNT.
Uma observação prática final: gerenciadores de referências como o Zotero, o Mendeley e o EndNote fazem esse controle automaticamente quando você configura o estilo correto. Mas isso não elimina a necessidade de entender a regra. Qualquer configuração errada no estilo vai gerar erros em massa, e você só vai perceber se souber o que deveria aparecer. Entender a norma é o que permite revisar o que o software produz, sem confiar cegamente no resultado.
Faz sentido? Se você ficar em dúvida na hora H, volte aqui. Essa é uma daquelas regras que parece simples até você estar no meio da escrita às 23h tentando lembrar se é três ou quatro autores o limite. Vale checar sempre.
Perguntas frequentes
Quando usar et al. nas citações ABNT?
Et al. vai com ponto ou sem ponto depois?
Como citar et al. em referência bibliográfica ABNT?
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