Alumni USP: quatro trajetórias que ligam formação a impacto
No Alumni USP Talks, quatro ex-alunos contam como a formação na USP se converteu em carreira. O que essas trajetórias dizem sobre o valor real da pós.
O Alumni USP Talks é uma série de conversas organizada pelo Escritório Alumni USP para colocar egressos e comunidade acadêmica na mesma sala, mostrando com nome e trajetória o que a formação virou na vida real de quem passou por ela. No dia 30 de junho, quatro ex-alunos da USP subiram ao palco do Auditório István Jancsó para contar o que fizeram depois do diploma, na oitava edição do evento.
Se você está no meio do mestrado ou do doutorado agora, sentindo que o dia a dia da pesquisa não parece ter relação nenhuma com “carreira”, esse tipo de relato importa. Não porque resolve a ansiedade sobre o futuro, mas porque mostra caminhos concretos, e nenhum deles seguiu um roteiro óbvio.
O que aconteceu
O evento reuniu quatro convidados com formações bem diferentes entre si. Simone Gueresi é doutora em Planejamento Urbano e Regional pela FAU e hoje coordena, no Ministério das Cidades, a área de urbanização de favelas em nível nacional. Gustavo Ribeiro Del Claro passou pela graduação, mestrado e doutorado na FZEA e se tornou sócio-proprietário de uma empresa de nutrição animal, a Pet Nutrition. Yara Mascarenhas saiu da Ciência da Computação no ICMC para fundar o The Developer’s Conference, hoje um evento de tecnologia com presença nacional. Marcos Paulo de Almeida Rosa formou-se em Ciências Contábeis na FEA-RP e ocupa hoje um cargo de gestão na Embraer.
A mediação foi da jornalista Roxane Ré, e o encerramento coube ao reitor Aluisio Segurado, que fez uma observação que merece atenção: ele reconheceu que a universidade “pode melhorar” em interdisciplinaridade e na resposta às demandas mutáveis do mercado. Não é discurso de autoelogio puro. Há uma admissão de lacuna ali, ainda que discreta.
Por que isso importa pra você
Nos quatro casos apresentados, a formação acadêmica não levou a um único tipo de destino. Os quatro convidados fizeram pós-graduação (mestrado, doutorado, ou os dois) em áreas técnicas específicas, arquitetura, zootecnia, computação, contabilidade, e terminaram em lugares que a área de origem não prevê automaticamente. Isso vale para quem está no meio do processo agora:
- Se você está no doutorado e não sabe pra onde vai depois: a trajetória de Simone Gueresi mostra que pesquisa acadêmica em planejamento urbano pode desembocar em política pública de peso nacional. A pesquisa técnica não é o fim da linha, é ferramenta.
- Se você pensa em empreender na sua área de pesquisa: Gustavo Ribeiro Del Claro fez o percurso completo (graduação, mestrado, doutorado) dentro da mesma faculdade antes de abrir empresa. Ele fez o percurso completo antes de abrir empresa.
- Se sua área parece distante do “mercado”: Yara Mascarenhas saiu da ciência da computação pura para criar um evento que hoje é um evento de tecnologia que ela fundou e dirige. O conhecimento técnico virou capital para outra coisa, não substituto dela.
Nenhuma dessas trajetórias veio de fórmula pronta. Vieram de escolhas específicas, feitas em contextos específicos. É por isso que ouvir relato real vale mais do que ouvir conselho genérico sobre “mercado de trabalho”.

O que fica quando o diploma não é o fim
Quando leio esse tipo de relato, penso menos no currículo e mais no que aconteceu no intervalo entre a formatura e o que a pessoa é hoje. A matéria não detalha o percurso de nenhum dos quatro egressos entre o fim do curso e o cargo atual. É esse intervalo, o que aconteceu entre um ponto e outro, que fica de fora do relato oficial.
Isso não significa que você precisa “empreender” ou “virar gestor” para validar sua formação. Significa que vale a pena tirar o peso da pergunta “o que eu faço com isso depois”. A resposta raramente aparece de uma vez. Aparece em pedaços, enquanto você segue fazendo a pesquisa que está fazendo agora.
Próximos passos
Se esse tipo de história te interessa, aqui vão algumas ações concretas:
- Procure o programa de egressos da sua própria instituição. Algumas universidades têm plataformas parecidas com a Alumni USP; vale a pena verificar se a sua tem., e às vezes você nem sabe que existe.
- Assista à gravação completa do evento, disponível no material original: dá pra ouvir os quatro relatos na íntegra, não só o resumo.
- Anote, hoje, uma pergunta que você faria a alguém 10 anos mais adiante na sua área. Guarde ela. Ela vai te ajudar a reconhecer, mais na frente, se a resposta apareceu.
E se o que te incomoda agora é mais imediato, tipo o nervosismo de apresentar seu próprio trabalho em banca antes mesmo de pensar no “depois”, vale a leitura de Nervosismo antes da defesa: o que fazer de verdade.
Fonte: Ex-alunos compartilham experiências e apresentam trajetórias de impacto social, Jornal da USP
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Perguntas frequentes
O que é o Alumni USP Talks?
Como funciona o Programa Alumni USP?
Fazer doutorado ou mestrado na USP garante emprego melhor depois?
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