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CAPES extingue o Qualis: o que muda na sua publicação

A CAPES aboliu a lista fixa de Qualis Periódicos e criou três formas de classificar artigos. Entenda o que muda pra quem está publicando agora.

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A CAPES extinguiu a lista de Qualis Periódicos que existia até 2025. Não é exagero dizer que isso mexeu com a rotina de quem publica: aquela consulta rápida, “qual é o Qualis dessa revista”, que orientava a escolha de periódico de milhares de pesquisadores, deixou de existir do jeito que você conhecia.

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O Qualis Periódicos é o procedimento que a CAPES usa para classificar os artigos publicados pelos programas de pós-graduação, com base em indicadores da revista, do próprio artigo, ou de ambos, dependendo da área de avaliação. A palavra-chave aqui é “artigos”: a CAPES não avalia mais a revista em si, ela classifica o que cada programa publicou, usando a revista como um dos insumos possíveis. Se você está no meio da coleta de dados pra escolher onde submeter seu próximo artigo, essa mudança já vale pra você.

O que aconteceu

Até o ciclo de avaliação 2017-2020, o Qualis funcionava como uma lista pública: cada revista tinha uma nota (A1 a C), e essa nota era usada, na prática, como atalho pra medir o valor do artigo publicado nela. A CAPES não vai mais divulgar essa lista fechada por revista.

O Conselho Técnico Científico da Educação Superior (CTC-ES), colegiado da CAPES que reúne coordenadores de área, diretorias e representantes de pós-graduandos, formalizou em 2024 um grupo de trabalho pra revisar essa metodologia (Portaria n° 64/2024). O motivo declarado: algumas áreas de avaliação concluíram que o Qualis, do jeito que estava, não era efetivo pra distinguir a produção de artigos entre os programas.

O resultado, aplicado a partir do ciclo 2025-2028, são três procedimentos distintos de classificação, e cada uma das 50 áreas de avaliação da CAPES escolheu qual usar (ou qual combinação).

Os três procedimentos, e o que muda na prática

Vale entender a diferença entre eles, porque é isso que vai determinar como o seu artigo é lido pela sua área:

  1. Procedimento 1, indicadores bibliométricos do periódico. É o mais parecido com o Qualis antigo: a nota do artigo (de A1 a A8) deriva do desempenho da revista onde ele foi publicado.
  2. Procedimento 2, combinação de periódico e artigo. Parte do desempenho da revista, mas soma indicadores do próprio artigo, como número de citações e índice de citação normalizada por campo, além de critérios do periódico como acesso aberto e indexação.
  3. Procedimento 3, análise qualitativa do artigo. Não usa métrica bibliométrica: avalia pertinência do tema, avanço conceitual e contribuição científica, classificando o artigo como Muito Bom, Bom, Regular, Fraco ou Insuficiente. É voltado a uma parcela destacada da produção, não ao conjunto todo.

Um efeito direto dessa mudança: três artigos publicados no mesmo periódico podem, agora, receber classificações diferentes entre si. No modelo antigo isso não acontecia, porque a nota vinha inteira da revista.

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Por que isso importa pra você

Se você está pensando “e o que eu faço com essa informação”, a resposta muda de acordo com o momento em que você está na pós:

Se você está escolhendo onde publicar agora

  • Não existe mais lista de Qualis por revista pra você consultar antes de submeter. O que existe são os critérios da SUA área de avaliação, que já escolheu um dos três procedimentos (ou uma combinação).
  • Vale a pena verificar, nos documentos da sua área de avaliação publicados pela CAPES, qual procedimento foi adotado, porque isso muda o que conta mais: o prestígio da revista, as citações do artigo, ou a análise qualitativa do conteúdo.
  • Artigos publicados em periódicos com práticas editoriais que não garantem revisão por pares idônea não são classificados. Eles são eliminados da produção do programa, então checar a integridade editorial da revista continua sendo, no mínimo, tão importante quanto era.

Se você está terminando dissertação ou tese

  • A nota do seu programa no próximo ciclo de avaliação vai depender de como a área dele aplicou esses procedimentos à produção do período. Vale acompanhar as comunicações da coordenação sobre isso.
  • Se seu artigo tem uma contribuição conceitual forte, vale verificar se a sua área usa o procedimento 2 ou 3, já que esses consideram indicadores do próprio artigo ou uma análise qualitativa da contribuição, e não apenas o desempenho da revista.

Se você orienta ou coordena

  • Se você orienta ou coordena, vale revisar qual dos três procedimentos a sua área adotou, porque a lógica de escolha de periódico deixou de ter um atalho único e público.

O ponto que vale segurar

Quando a CAPES anunciou o fim do Qualis Periódicos como lista fixa, a reação da comunidade acadêmica foi mista: elogios de um lado, preocupação com o “colapso do sistema” do outro. Faz sentido a reação, porque durante anos aquele número orientou decisão de submissão de artigo científico no Brasil inteiro.

Mas vale separar duas coisas que a mudança de procedimento não deveria confundir: a nota que um artigo recebe na avaliação da CAPES, e a decisão de onde publicar. Do ponto de vista conceitual, a escolha do periódico deveria continuar sendo guiada pelo alcance da contribuição do seu trabalho e pelas boas práticas editoriais da revista, não pelo número que ela carrega num determinado quadriênio. Isso porque o próprio Qualis, mesmo antes dessa mudança, já variava de um ciclo pra outro: a classificação de uma revista podia subir ou cair significativamente entre um quadriênio e o seguinte, porque ela reflete o desempenho bibliométrico dos últimos cinco anos, não uma qualidade fixa e permanente.

Vale lembrar: já não existe mais uma tabela pública de Qualis por revista pra consultar antes de submeter. Essa tabela não existe mais. O que existe é uma pergunta mais trabalhosa, e mais honesta: essa contribuição, no tema que ela aborda, pertence a qual conversa científica, e qual revista participa dessa conversa com seriedade editorial?

Próximos passos

  1. Descubra qual dos três procedimentos a sua área de avaliação adotou (pergunte ao orientador, à coordenação do programa, ou procure as portarias da sua área específica no site da CAPES).
  2. Reavalie os critérios que você usa pra escolher periódico: prestígio da revista, práticas editoriais e alcance da sua contribuição pesam mais do que uma nota fixa que não existe mais.
  3. Se você tem artigo em produção, confira se o periódico-alvo garante revisão por pares transparente, porque isso agora é condição de entrada, não só de qualidade.
  4. Acompanhe a nota CAPES do seu programa no ciclo 2025-2028: ela vai refletir como a área aplicou esses novos procedimentos.

Se você quer entender melhor como a nota do seu programa funciona por trás desses números, veja Nota CAPES do Programa: O Que Significa Cada Conceito.

Fonte: CAPES e o novo sistema de classificação de artigos científicos: o que é verdade e o que é desinformação, The Conversation

Perguntas frequentes

O Qualis Periódicos acabou de vez?
A lista pública de Qualis por revista, como existia até 2025, acabou. A CAPES agora classifica os artigos (não mais só a revista) usando três procedimentos diferentes, definidos por cada uma das 50 áreas de avaliação.
Dois artigos no mesmo periódico podem ter notas diferentes agora?
Sim, e essa é a principal mudança. Como parte da classificação passa a considerar indicadores do próprio artigo (citações, índice de citação normalizado), dois textos publicados na mesma revista podem sair com classificações distintas, de A1 a A8.
Preciso mudar onde eu publico por causa dessa mudança?
Do ponto de vista conceitual, não. A CAPES e pesquisadores que discutiram a mudança reforçam que a escolha do periódico deve seguir o alcance da contribuição do seu artigo e as boas práticas editoriais da revista, não um número que pode variar de um quadriênio para outro.

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